quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
Natal: O poder de Deus na fragilidade do mundo
Deus é grande demais para poder passar pelas portas do templo. Aliás, Ele nem cabe no templo, nem em qualquer catedral, igreja ou capela. Por causa disso, as pessoas só podiam crer que Ele morasse numa alta montanha distante, como o Sinai, ou mesmo na imensidão do céu.
Deus, porém, quis revelar-se, mostrar-se, chegar perto de suas criaturas, pois as amava. Apesar de sua desobediência, apesar de seu pecado, apesar de sua maldade, Deus, amava e ama profundamente as suas criaturas. Já não podia ver seu sofrimento, nem ouvir o seu clamor. Por isso, desceu. E desceu tanto que se foi revelando nas coisas fracas, frágeis, insignificantes.
Subitamente já não estava na alta montanha. Estava numa sarça, num pequeno arbusto que quase não se notava. Estava numa brisa leve, quase inaudível. Estava no chão do sofrimento, em meio a escravos e escravas de costas lanhadas pelos chicotes. Estava no deserto, caminhando com seu povo, por muito, muito tempo, até chegar na terra prometida.
Contudo, esse Deus queria chegar ainda mais perto das pessoas. Tão perto, a ponto de tornar-se um igual. Igual a quê? Igual ao ser humano mais sofrido e triste que pudesse existir.
E, então, se fez carne! Armou sua tenda no meio de nós. Fez-se imagem de ser humano.
Escolheu uma jovem mulher, chamada Maria, para vir ao mundo através dela. Pobre Maria! Como explicar que estava grávida? Quem haveria de acreditar nela?
Pobre José! Sentiu-se traído, quis fugir. Como acreditar no que o anjo lhe dizia? Que iriam dizer dele? Que iriam dizer daquela pobre criança?
E agora estavam ali, naquela estrebaria fedorenta. Não tinham encontrado lugar. Ninguém lhes dera pousada. Em meio a moscas e esterco, a criança havia nascido. Nem cama, bem berço! Um cocho de palha babada pelos animais. Ali estava agora deitada a criança, tão frágil. E aqueles pastores sujos e maltrapilhos em volta dela, com os olhos brilhantes, como se tivessem visto anjos.
No meio de toda aquela miséria, porém, havia algo de belo. Uma profunda paz tomava conta de tudo e de todos. Era como se Deus estivesse ali. Deus conosco, na miséria do mundo. Deus conosco, num cocho babado. Deus conosco, cercado de moscas e de esterco. Emanuel!
Mais tarde haveria uma cruz, numa cinzenta tarde de sexta-feira. Pregado nela, alguém gritava desesperado: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”. E morreu, frágil, banhado em sangue e dores. Emanuel!
Na manjedoura e na cruz, Emanuel, Deus conosco. Para sempre, Deus conosco. Grande demais para caber num templo. Pequeno e frágil como uma criança recém-nascida.
É difícil entender um Deus assim. É difícil compreender um amor tão grande. Mas é assim o nosso Deus, Emanuel. O seu poder se torna forte nas coisas fracas e pequenas. Ele está presente nas pessoas fracas e pequenas, nas crianças, nos pobres, nos sofridos. Solidário.
Assim é Natal: o poder de Deus na fragilidade do mundo!
Por isso, glória a Deus nas maiores alturas, e paz, paz na terra, paz entre os seres humanos a quem Ele tanto ama.
Emanuel.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Boa Música: Life is a miracle (Prefab Sprout)

Say, what you doing' sleeping ? Hey half the day is gone
Get a move on
Life's a miracle, let me tell you why
If you look above you, there are no more stars
Like this one in the sky
Life's a miracle, we gotta make the most
Of the passing moment,
Gotta do our best, there'll be time enough to rest
Gotta do our best, there'll be time enough to rest
Tell someone you them, there's always a way
And if the dead could speak I know what they would say
To you and me - don't waste another day
Show someone you love them don't be scared
And if they fall into your arms you'll be surprised to find
The weight that you can bear, because
Life's a miracle, we gotta do our best
Before it's time to rest
Life's a miracle - it's a Summer's day
It's a passing moment
Enjoy the sky, be a brilliant butterfly !
Tell someone you them, there's always a way
And if the dead could speak I know what they would say
To you and me - don't waste another day
Show someone you love them don't be scared
And if they fall into your arms you'll be surprised to find
The weight that you can bear, because
Life's a miracle
Life's a miracle
Life's a miracle
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Tomé
“Era o primeiro dia da semana. Ao anoitecer deste dia, estando fechadas as portas do lugar aonde se achavam os discípulos por medo das autoridades dos judeus, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: A paz esteja com vocês.[...] Tomé, chamado Gemeo, que era uns dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos disseram para ele: Nós vimos o Senhor. Tomé disse: se eu não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar as minhas mãos no lado dele, eu não acreditarei.” Jo 20, 19-25
Quão Tomé somos todos nós?
A pergunta foi proposta em uma das assembléias do Cursilho, por Dom Laurindo, então Bispo da Diocese de Foz do Iguaçu.
De fato. Quantas vezes nós não nos envolvemos, não assumimos responsabilidades, não nos comprometemos, sequer comparecemos e depois ainda nos achamos no direito de duvidar daqueles que acreditam?
É necessário ficar atento a isso.
É comum observarmos algumas pessoas se afastando do Movimento de Cursilhos e até mesmo da Igreja, sem nenhuma grande razão, simplesmente porque permitiram que a distância aumentasse.
Trilhas que ficam por muito tempo sem uso, tendem a criar mato, dificultando a passagem, até que desaparecem completamente.
Quando deixamos de comparecer a uma Escola Vivencial ou Assembléia Mensal, pode ficar bem fácil também não participar da próxima. Quanto menos participamos mais nos esquecemos dos motivos que nos levariam a participar, das maravilhas que já vimos acontecer em nossas vidas e nas vidas de outras pessoas, do crescimento, da formação, da amizade especial que é cultivada entre cursilhistas... Até chegar ao ponto em que duvidamos de todas essas coisas: não vamos, não vemos e depois questionamos!
Não é para qualquer um. Compromisso incondicional é realmente para poucos. É para quem não tem qualquer outra prioridade a não ser estar a postos para receber e testemunhar Jesus.
Quati Vingador - Conselhos de Irmã
Nos meus idos tempos de faculdade (na condição de aluna), eu e alguns amigos escrevíamos um informativo chamado “Quati Vingador”.
O Quati era escrito por alguns meninos do curso de Direito da UEPG e suas poucas cópias eram disputadas a tapa. Eu e algumas amigas sugerimos a eles admitir textos de “quatis fêmeas” e a mim couberam duas colunas: “Essa é pra casar” e “A nível de Universidade”.
Foi uma das melhores épocas da minha vida. Todas as semanas precisava encontrar inspiração para escrever uma coluna sobre festas, relacionamentos, coisas de meninas e outra sobre fatos da universidade, política, direito, etc. Às quintas-feiras muitas vezes íamos até a madrugada, revisando, organizando, providenciando as cópias e grampeando as folhas. No dia seguinte fazíamos a distribuição pela manhã e também à noite. Até uniforme a gente tinha!
Todos se divertiam com nossas besteiras e apreciavam também a parte séria. Inclusive a direção do curso muitas vezes solicitava que veiculássemos avisos oficiais no Quati, porque ali tinham certeza que seriam lidos.
Muita gente pedia para ser citado, outros tinham até medo: “Você não vai escrever sobre mim né?” Até entrar sem pagar em algumas festas universitárias nós entrávamos, e diziam: “Chegou a imprensa!”
Talvez os devaneios aqui no blog sejam uma forma de matar um pouco da saudade daquele tempo. Era um espaço privilegiado para dar indiretas, desabafar e até praticar algumas vinganças veladas! Era um jeito de tirar alguns macaquinhos do sótão e colocar no papel!
Dois dos companheiros de Quati me encontraram no facebook essa semana, os famigerados Dr. G e Chasso. Acho que aí veio a nostalgia e vontade de requentar um texto daquela época (claro, mamãe os mantém todos arquivados!).
Então, segue abaixo, sem qualquer modificação, um texto publicado em 6 de setembro de 2002, na coluna Essa é pra casar, 11ª edição, do segundo ano do Quati Vingador.
Vai que ainda é útil para alguém!
CONSELHOS DE IRMÃ
Esta coluna normalmente traz críticas ao comportamento masculino, outras vezes avalia as atitudes femininas, mas esta edição está mais boazinha: reunimos alguns conselhos dirigidos aos rapazes, são realmente dicas só dadas a irmãos, vão desde o comportamento com o sexo oposto, até o jeito de se vestir:
- sabem aquelas listas tipo “as 10 melhores cantadas” que te mandam por email? Você não deve levá-las a sério meu querido, chegar na menina dizendo: “posso te fazer uma proposta? Eu te dou um beijo, se você não gostar você me devolve...” é a maior furada.
- a tua virilidade e força física só serão úteis e apreciadas na hora de carregar malas, trocar pneus, etc, jamais na hora da conquista. Se o teu papinho não convenceu a gata, uma “chave de braço” não terá melhor sorte. Agarrar e beijar é no mínimo uma grosseria.
- tudo menos meia branca conjugada com calça e sapatos escuros.
- camisa brilhante... você é cigano?
- carro cheio de “barulhos”, música muito alta, todo um aparato automobilístico não são eficientes par atrair mulheres, ou pelo menos mulheres dignas de respeito...
- calvície começando a dar sinais? Não adianta se agarrar aos poucos heróis da resistência e conservar um ridículo mullet. Um corte bem curto e pronto.
- quando for presentear, nunca a mande escolher. Segundo uma colega analista de relacionamentos, “mandou escolher, se f...”. Só falta no dia dos namorados você dar uma daqueles “vale CD”. Use a criatividade amigo! Fora que dando a escolha a ela você perde o controle do preço, pode se arrepender depois. Outra coisa, preço e marca não significam muito para moçoilas que se prezem (sim, elas existem). Muitas vezes um chocolate inesperado tem mais efeito do que um grande anel.
- em hipótese alguma termine um relacionamento por telefone, ou pior, por email. Seja homem, não foi assim que tudo começou e não é assim que deve terminar.
- se você precisa mesmo beber, tenha noção. A cena de um cara vomitando no meio da festa obviamente não é o melhor chamariz de mulheres. Não passe a noite toda encostado no balcão! O álcool pode ter ainda outros efeitos: suas qualidades de dançarino não serão estimuladas com o equilíbrio prejudicado; você pode facilmente se meter em brigas idiotas (há alguma briga que não o seja?) e mulher nenhuma suporta homem metido a macho; você pode não lembrar de informações importantes no dia seguinte; você pode expor a moça a sérios risco ao levá-la para casa, entre outras desvantagens. Saiba dos teus limites!
- não dê em cima das amigas dela. Tenha foco! É o óbvio, mas muitos ignoram...
- a gente costuma não gostar de homem que dança muuuito bem, do tipo que sabe todas as coreografias da moda, rebolando feito um louco. Mantenha a compostura no salão. O imprescindível é que você se vire bem dançando a dois.
- Tenha amigas. Trate bem as mulheres da tua família.
- Declarações de amor em público devem ser evitadas ou deixadas para quando você tiver um mínimo de esperança de reciprocidade, do contrário você colocará os dois numa situação muito constrangedora.
Haveria ainda muitos outros conselhos, todos ótimos na teoria mas que a prática insiste em contrariar. Na dúvida: tente! Nas questões do coração é possível até que os fins justifiquem os meios. Como diz São Paulo: “o amor cobre a multidão de pecados”. Por pecados podemos entender fiascos, foras, cortadas e por aí vai...
sábado, 16 de outubro de 2010
Também trabalha ou só dá aula?
Quantos de nós professores já não ouviram esta pergunta?
Eu normalmente respondo que na maior parte do tempo realmente não trabalho, só me sinto realmente trabalhando quando preparo e corrijo provas e quando preciso preencher livros de chamada...
O resto? O resto é diversão!
Durante alguns anos fui advogada e professora. Aos poucos fui sentindo que me realizava mais como professora do que advogando, e ao me sentir melhor com o trabalho, me pareceu que os resultados eram também melhores e decidi: vou parar de trabalhar e ser só professora.
Até hoje ainda sou questionada por essa escolha: mas você nunca mais vai advogar? Não. Não quer fazer nenhum concurso? Não.
Que alegria e que privilégio é poder escolher a vida que se quer ter. Eu escolhi e a tenho. Não canso de agradecer, a Deus, aos meus pais, aos meus empregadores, e principalmente aos meus alunos.
Apesar de ontem termos comemorado o Dia dos Professores, hoje é para isso que escrevo este pequeno texto: para agradecer aos meus alunos por me permitirem diariamente o exercício da profissão que escolhi.
Obviamente há altos e baixos. Não raras vezes saí de sala pensando: “Quem foi o louco que disse que você poderia ser professora Patricia?” Há toda a desvalorização, desrespeito e todo o mimimimimimi que professores costumam desfiar por aí. (1)
Se for para trabalhar só por dinheiro, sinceramente, não seja professor.
Não digo isso porque considere a remuneração muito baixa, mas sim porque acredito que ofício algum deve ser exercido só com vistas ao retorno financeiro, mas quando se trata de ser professor, isso é mais grave ainda.
Quem trabalha só por dinheiro provavelmente ganha mais do que merece.
Ser professor é lidar todos os dias com o sonho alheio, incentivar projetos de vida, descobrir talentos, emancipar pessoas, sugerir caminhos... Quanto vale fazer isso? Quanto mereceria receber o professor que efetivamente consegue cumprir tal missão?
O verdadeiro professor se sentirá compensado por todas as horas fora de sala de aula, estudando, preparando, corrigindo, planejando, quando percebe as mudanças nos seus alunos, quando percebe que alguém vê a vida com um pouco mais de clareza em razão de algum comentário em sala de aula, quando acompanha uma discussão entre alunos sobre algum ponto de sua matéria, quando vê um aluno orgulhoso por se tornar aquilo que ele sempre foi, por se tornar um ser humano mais completo.
É por isso e muito mais que sou feliz por ser professora e quero continuar me esforçando para um dia me parecer um pouquinho com a descrição de professores apaixonas feita pelo Gabriel Perissé (2) no texto abaixo.
Professores e professoras apaixonados acordam cedo e dormem tarde, movidos pela idéia fixa que podem mover o mundo. Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, de múltitplas formas, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos. Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato. Apaixonar-se sai caro!
Os professores apaixonados, com ou sem carro, buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria. Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, dos desrespeitos, das injustiças, até mesmo dos horrores que há na profissão. Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro. Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Dar aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração. Não essa oração chacoalhar de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e nada mais.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar os esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei. Mas é também indisfarçável.
(1) @malvados http://www.malvados.com.br/
(2) Doutor em Filosofia da Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), com a tese "Filosofia, ética e literatura: a proposta pedagógica de Alfonso López Quintás" (2003). Mestre em Literatura Brasileira pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), com a dissertação "Carlos Nejar: uma admiração problemática" (1989). Bacharel em Letras (Português e Literaturas Brasileira e Portuguesa) pela Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1985). (www.perisse.com.br)
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