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segunda-feira, 11 de julho de 2022

A VOLTA DO BOM SAMARITANO

            

     

     Entre as muitas histórias contadas por Jesus está a Parábola do Bom Samaritano. Jesus a contou em resposta ao questionamento de um “mestre da lei” (que talvez estivesse mais interessado em ser liberado por Jesus do dever do amor em relação a alguém do que realmente em saber quem é o  próximo). Na parábola Jesus mostra que é nosso próximo qualquer pessoa a quem possamos de alguma maneira colaborar, contando sobre o samaritano que, vendo um homem caído no meio do seu caminho, sente compaixão, cuida de suas feridas, o transporta em seu próprio animal e arca com os custos de sua hospedagem em uma pensão. O detalhe é que antes do samaritano, um sacerdote e um levita já haviam se deparado com o homem caído mas seguiram adiante, “pelo outro lado”.

            A história nos leva a pensar sobre o levita e o sacerdote, cumpridores de seus deveres religiosos mas que não quiseram tocar um doente para não se tornarem impuros, enquanto o samaritano, originário de um povo que não era bem visto pelos judeus, se aproxima da pessoa necessitada e o ajuda, com suas próprias mãos e seus próprios recursos.

            É interessante observar que ele reconhece a necessidade do outro e prossegue em sua viagem. Podemos pensar que esse homem tinha também outros deveres, compromissos, precisava cuidar também da sua vida, não poderia largar tudo para cuidar do homem caído na estrada, mas fez o que suas condições permitiam e seguiu. Assim também deveríamos ser todos nós, mantendo atenção às necessidades dos que estão ao nosso redor mas ao mesmo tempo seguindo nossos trabalhos, cuidando de nossas famílias, não esquecendo de nossas próprias necessidades, ajudando e vivendo, dentro de uma normalidade, sendo quem somos, não sendo necessários grandes gestos de abandono de qualquer interesse pessoal a favor do outro, mas integrando o outro aos nossos interesses (“ao teu próximo como a ti mesmo”). Ou seja, não é necessário abandonar a própria viagem, mas também não podemos seguir “pelo outro lado”.

            Ouvindo a história surge a curiosidade sobre a volta do samaritano à pensão. Como foi recebido pelo homem a quem ajudou? Será que agora recuperado ele seria grato? Será que ele se apressaria em retribuir ou pagar ao samaritano pelos gastos que teve? Talvez se propusesse a acompanhar o samaritano a partir de então, para também ajudar outras pessoas com necessidades? Por outro lado, talvez fosse mal recebido, quem sabe o homem ajudado fosse também alguém preconceituoso que preferia não ter contato com um samaritano? Talvez recriminasse o seu benfeitor dizendo que queria morrer e que deveria ter sido deixado no caminho para isso? É possível que no retorno do samaritano o homem até já tivesse ido embora da pensão, não tendo sequer aguardado para dizer um muito obrigado e retornando ao mesmo caminho e perigos que o deixaram entre a vida e a morte anteriormente...

            Não sabemos, Jesus não continuou a história e não continuou simplesmente porque não interessa. O samaritano fez-se próximo do homem caído, não fazendo diferença na sua ação se aquele homem também se faria seu próximo. A bondade do samaritano já está demonstrada, independente das ações de quem recebeu essa bondade.

            Tudo o que acontece depois do ato de amor, de bondade, já não é importante. O bem já está feito, tanto para quem o recebe como para quem o pratica.

            Mas quantas vezes cobramos das pessoas a quem de alguma forma ajudamos que elas sigam o caminho que nós é que entendemos que seria o melhor para elas? Quantas vezes esperamos reconhecimento e gratidão de forma a sermos nós mesmos os beneficiários de nossa própria bondade? Quantas vezes nos comportamos como se os demais estivessem sempre nos devendo algo? Ou julgamos pessoas que participam conosco de momentos especiais em um encontro ou movimento e que talvez depois não seguem exatamente o mesmo rumo que o nosso? Ou ainda, como o sacerdote e o levita escolhemos aqueles que seriam mais ou menos dignos de nossas ações?

            Devemos insistir nos convites, nos chamados, nos esforços, mas nunca é demais refletir sobre o fato de que o único comportamento sobre o qual realmente temos algum controle é o nosso próprio e não exigir que as pessoas atendam as nossas expectativas ou depositar fardos nos ombros de outros.

            É necessário fazer a nossa parte e seguir viagem.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Creio na Santa Igreja Católica

Quando criança, mesmo sendo católica, estudei na Escola Adventista, aonde tive excelentes professores e um cuidadoso ensino religioso. Era costume da escola levar os alunos à Igreja, que fica junto da escola, e nos incentivar a participar de algumas celebrações. Eu achava bonito o quanto todos se conheciam e pareciam se querer bem.

Mais tarde, tive a alegria de me tornar membro do Movimento de Cursilhos de Cristandade, e a partir dele descobrir que também entre católicos é possível ter aquele sentimento de comunidade. A partir de então, quando participo da missa em Guarapuava, conheço a maioria dos padres e eles também me conhecem, muitos ali presentes sabem da minha família, nos visitam quando temos problemas, preocupam-se com as nossas perdas, curtem as nossas alegrias, ouvem até mesmo os nossos conselhos. Quando participo da missa em Guarapuava, estou entre amigos, estou em família.

Não abro mão deste sentimento de comunidade por nada. Nenhuma espiritualidade cultivada na solidão supre o que a comunidade me fornece.

Essa comunidade tem uma história incrível, de muitos e graves erros, mas também de enormes acertos que nos trouxeram até aqui e contribuíram para muitas das conquistas de que usufruímos até hoje não apenas como católicos, mas como pessoas e cidadãos.

Durante o período de férias, em que tive o privilégio de poder passar alguns dias fora da rotina, no litoral, tive a oportunidade de participar da missa em uma igreja que não é a minha, de todas as semanas.

Nos mesmos dias em que eu estava lá, alguns acontecimentos agitavam a minha igreja, pedaço da minha casa, em Guarapuava.

Participar de uma celebração em uma igreja “desconhecida” me fez refletir sobre tais acontecimentos. Foi muito interessante celebrar com um padre cujo nome eu nem sei. Também não conhecia qualquer dos ministros da Eucaristia. Não tenho ideia de quem eram as pessoas cantando, proclamando as leituras e tudo o mais. Não conheço o passado daquelas pessoas, suas profissões, se são bons vizinhos, esposos fieis ou não... Não sei nada disso e não preciso saber.

Foi muito interessante participar da missa e perceber que as pessoas que estão ali são simplesmente instrumentos passageiros, como também eu sou. Perceber que por mais que eu tenha padres amigos, a quem admiro muito e por quem tenho enorme carinho, a minha fé e a minha participação na Igreja não dependem deles.

A cada celebração temos a oportunidade de repetir que cremos em Deus Pai, que cremos em Jesus Cristo e que cremos na Santa Igreja Católica.

Em nenhum momento rezamos que cremos no bispo ou neste ou naquele padre.

Ao contrário, quando a eles nos referimos pedimos (diretamente a Jesus já presente na Eucaristia) que, junto com a Igreja (e assim junto conosco), cresçam sempre em caridade.

É o que pretendo continuar sempre pedindo para mim, para os padres, religiosos e religiosas e todos os demais.

Isso não significa que eu ignore as decepções que seres humanos podem nos causar. Isso não significa que erros não devam ser investigados.

Fui a uma Igreja em que eu não conhecia ninguém, mas eu sou absolutamente conhecida pelo único que lá me interessava: Cristo. Eu não o conheço completamente, mas Ele me conhece e, ainda assim, me ama e me aceita.


É por Ele que seguimos, apesar das pessoas, apesar de nós mesmos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Oração em preparação para os 50 anos de MCC Brasil

ORAÇÃO DE PREPARAÇÃO PARA O JUBILEU DE OURO DA PRESENÇA DO MOVIMENTO DE CURSILHOS DE CRISTANDADE NA IGREJA DO BRASIL

Senhor, neste tempo em que nos preparamos para celebrar o Jubileu de Ouro da presença do Movimento de Cursilhos de Cristandade em nosso país, queremos viver uma experiência de profunda Ação de Graças.
Agradecemos a Deus Pai que inspirou, a um grupo de sacerdotes e leigos, a peregrinação de milhares de jovens a Santiago de Compostela, fazendo assim nascer a semente, deste movimento que se tornaria verdadeira benção para a Igreja e providencial instrumento de renovação cristã na transformação evangélica dos ambientes.
Agradecemos a Deus Filho, pois, a partir do encontro pessoal com Ele e do seguimento de suas pegadas, em comunhão com aqueles que Ele instituiu como Pastores, temos buscado cumprir nossa missão, sendo fermento, sal e luz.
Agradecemos a Deus Espírito Santo que não cessa de oferecer à Igreja o dom de Pentecostes, capaz de conceder aos que o pedem, o ardor e o entusiasmo para relançar, com fidelidade e audácia, a missão transformadora deste Movimento que nos quer discípulos missionários, fiéis ao nosso carisma de formadores de pequenas comunidades de fé.
A São Paulo Apóstolo, nosso celestial Patrono e modelo, pedimos que nos inspire na tarefa de evangelizar nossa cultura, tão distanciada dos valores anunciados por Jesus, e nos ajude a mostrar a face do Mestre a todos os homens e mulheres, sobretudo aos que se distanciaram do caminho que a Ele conduz.
A Maria, Mãe da Igreja e primeira discípula missionária, pedimos que nos acolha e nos guarde em sua maternal proteção, ajudando-nos a renovar nosso compromisso de construtores do Reino. Amém.

domingo, 31 de julho de 2011

Para a Tia Isa



“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”.
Poucas pessoas poderiam repetir como suas essas palavras escritas por São Paulo a Timóteo.
Tia Isa foi uma dessas poucas pessoas.
Uma vida toda dedicada ao Jesus com quem cultivou profunda intimidade, adquirida com horas e horas diante do Sacrário, sendo muitas destas horas vividas dentro dos Cursilhos.
Uma ausência que sempre será sentida e relembrada a cada vez que cursilhistas estiverem reunidos, a cada vez que cantarmos nossas músicas, a cada vez que rezarmos o terço que ela ensinou a tanta gente.
Diante de uma vida tão bonita, quase não há o que se lamentar na morte, a não ser a saudade.
Tia Isa costumava ensinar que de Deus só obtemos amor, pois é impossível que da mesma fonte saísse água doce e salgada ao mesmo tempo. Foi assim que ela viveu sua vida, na entrega total ao amor de Deus, mesmo diante das tristezas e dificuldades.
Tia Isa nunca mediu esforços no trabalho por Cristo, pela Igreja e pelo Movimento de Cursilhos de Cristandade, assim, a melhor homenagem que um dia poderemos prestar a ela, é seguirmos o seu exemplo de serva fiel e amorosa, porque sempre apoiada na fidelidade e no amor de Cristo.
Tantas vezes ela cantou “dar ao próximo alegria, parece coisa tão singela, aos olhos de Deus porém, é das artes a mais bela”.
Essa foi a arte da Tia Isa.
Sejam as nossas boas obras as rosas que hoje queremos entregar a nossa querida e inesquecível Tia Isa.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Música para a vida: Brilhar Por Ti

Hoje a música não é para a sexta e nem para a segunda, é para a vida!
É o desafio aceito e escolhido, a adesão a uma proposta de amor infinito, que faz a minha vida decolores todos os dias.
A resposta a um convite carinhoso, que deixa qualquer fardo mais leve
Uma conversa com Aquele que insiste comigo, e me deu de presente mais um final de semana absolutamente especial.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

CURSILHO - Três dias por uma vida


Sempre que convido pessoas para participar de um cursilho e, consequentemente, tornarem-se cursilhistas, tenho uma certa dificuldade em explicar do que se trata.
Como explicar o que faz parte inseparável do que eu sou?
É como tentar explicar por que para mim é importante respirar ou me alimentar, ou seja, é algo tão óbvio, tão necessário para mim que eu é que não entendo como é que pode ter gente que vive sem!
Aceitar o convite exige coragem e não é qualquer pessoa que está disposta a dedicar 3 dias de sua vida tão corrida para simplesmente parar e refletir sobre questões importantes mas que passam batidas entre tantas tarefas que temos a cumprir diariamente.
Porém, invariavelmente, ao final dos 3 dias, os participantes afirmam coisas do tipo: “Se eu soubesse como era bom, teria vindo antes”; “A gente entra sem querer entrar e sai sem querer sair”, “Não vi o tempo passar”...
É claro que tais afirmações, entre tantas outras declarações apaixonadas, não garantem que o novo cursilhista vai continuar participando do movimento e até mesmo da Igreja, tudo vai depender da perseverança.
O fato de escrever este meu texto já é desde logo o reconhecimento de um fracasso. Sim, se preciso escrever um texto explicando porque vale a pena ser cursilhista e as razões pelas quais amo este movimento, é porque não tenho demonstrado adequadamente com a minha vida o quanto foi maravilhoso ter trocado 3 dias de nada por 3 dias que me deram vida e vida em abundância.
Mas, se algum leitor, em algum momento de convívio comigo já encontrou algo a admirar, fique logo sabendo (se ainda não sabe): o grande responsável por todas as minhas tentativas de fazer algo de bom da minha vida é o Movimento de Cursilhos de Cristandade.
É claro que existe também a fundamental influência da minha família, mas acontece que a influência do Cursilho na minha família foi também fundamental.
Também é claro que a verdadeira meta da minha vida é Cristo e não o Cursilho, mas o movimento se mostrou para mim como o melhor instrumento para participar da Igreja Católica e viver meu seguimento a Jesus Cristo.
Participei do meu Cursilho em 1996. Não fui daquelas que se entrega logo de cara e só me dei conta mesmo do quanto tinha sido importante alguns dias depois que saí. Resolvi então participar da primeira Assembléia Festiva, da primeira Escola Vivencial e desde então foram muito raros os convites do cursilho que eu tenha recusado.
Apesar de ser cursilhista ter trazido muitos compromissos para mim e para minha família, minha vida não foi em nada limitada por isso. Ao contrário, a consciência adquirida ao longo de todos estes anos (e ainda em construção) guiou as minhas decisões e abriu inúmeros dos caminhos que escolhi para mim.
Com o Cursilho aprendi a importância de se buscar formação e procurar entender um pouquinho a minha fé, minha Igreja, meu mundo, minhas escolhas. Esta consciência formada a partir do Cursilho é que me permite (e a todos os que se dedicam), estar no mundo sem ser do mundo.
Isto é o que me encanta. A proposta não é para viver dentro da Igreja, mas para, com todos os nossos defeitos e limitações humanas, tentar ser Igreja no mundo. Trabalhando, festando, convivendo.
Fiz meu cursilho ainda antes de entrar na faculdade e foi trabalhando nele que descobri que gostaria de estudar Direito e ser professora. O Cursilho nos ensina a identificar e valorizar nossos talentos, habilidades, vocações e, principalmente, verificar como esta vocação pode ser colocada a serviço da construção do Reino.
Evidentemente que sempre falho nesta missão. Não consigo ainda viver meu ideal em plenitude, mas vou tentando.
Certa vez uma amiga me perguntou que diferença faz ser alguém que tem fé, que se dedica à Igreja ou ser simplesmente alguém ético, honesto, etc?
Eu respondi que nos dois casos a pessoa enfrentará dificuldades, será ridicularizada algumas vezes, será passada para trás em outras e terá vontade de desistir. Aquele que tem fé, como não coloca sua meta na vida presente, como não procura meramente seu bem estar mas sim procura se parecer com Aquele a quem segue, este terá forças acima de si mesmo para continuar a peregrinação por esta pátria que não é definitiva.
Já vi Deus (com o Cursilho) fazer maravilhas na vida de muitas pessoas e famílias, inclusive e notadamente, na minha.
Como também já vi pessoas se afastarem do Cursilho, de Deus e da Igreja e só encontrarem complicações, tornarem a vida cinza ao invés de decolores. Não que ser cristão e ter fé sejam garantia de uma vida simples, muito pelo contrário. A fé não muda nada nas circunstâncias da vida, muda sim a forma como reagimos a elas. Quando as nossas forças não são suficientes, é um privilégio ter a certeza de que forças do alto intercedem em nosso favor.
Isso não se encontra apenas no Cursilho e na Igreja Católica, mas foi nele que eu (e muita gente em 50 anos de história no Brasil) encontraram.
No Cursilho ganhei também alguns dos melhores amigos que alguém pode ter, pessoas com que contarei para o resto da vida, seja nos momentos de festa como também nas tristezas.
É por isso e por tudo o que é impossível explicar, que amo o Cursilho e convido pessoas de quem gosto para que se juntem a nós, para que se permitam este passo na busca do sentido da vida, para que se sintam inteiros, amados e merecedores do maior amor que existe.
Só vivendo para saber. Venha viver esta experiência.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Patinho Feio


Alguém que corre muito sem saber exatamente para onde, certamente é um fugitivo... resta saber: fugindo de que?
Muitas vezes a correria do dia a dia não nos permite parar um pouco e fazer as perguntas que realmente fazem a diferença e poderiam auxiliar no encontro de um sentido para a vida.
Assumimos tantos compromissos, horários marcados (academia, filhos, jantares, estudos, manicure, trabalho, cabelo, futebol, reuniões, festas, viagens...), quando nos damos conta: lá se foi mais uma semana, mais um ano somado a nossa idade... E com o passar deste tempo, o que construímos, o que estamos nos tornando?
Interessante lembrar dois conselhos dos gregos. O primeiro, inscrito no templo de Apolo e considerado profundamente por Sócrates: 'Conhece-te a ti mesmo'. E o segundo, escrito pelo poeta Píndaro: 'Torna-te o que és'. 
Para que nos tornemos exatamente aquilo que somos é necessário primeiro ter a coragem de parar e olhar para nós mesmos, procurando nos conhecer.
Sobre este 'se encarar', são ilustrativas duas histórias, que pouco têm de infantis, e que relatam a busca de seus personagens por encontrar a própria identidade e ser fiéis a ela: O Rei Leão e O Patinho Feio.
No 1º conto encontramos Simba, um leãozinho acusado de ter matado o próprio pai, o bom e justo rei Mufasa. Isolado na floresta, ele vai esquecendo quem realmente é, até o dia em que vê seu reflexo na água e percebe em si a imagem do pai.
No segundo, vemos um cisne, que por ter sido criado entre outras aves, não tinha noção da beleza guardada nele, esperando para se revelar. Só se deu conta disto, quando observou os belíssimos cisnes voando e nadando e enfim olhou para o seu próprio reflexo na água, descobrindo que também ele é um belo cisne.  
Observa-se então que a descoberta de quem somos passa por um caminho: é necessário observar alguém maior e melhor e então refletir, procurando em nós as semelhanças com uma versão melhor de nós mesmos.
Neste processo, importante auxílio nos fornece a religião, em sua função de re-ligar, ela nos religa a Alguém que é maior e melhor do que nós (é O maior e O melhor), mas com quem guardamos direta semelhança, uma vez que somos seus filhos. Desta forma, a religião também nos religa a nós mesmos, nos dá raízes, nos dá sentido.
A partir de quando Jesus Cristo se tornou plenamente homem, cada um de nós foi relembrado de que tem em si partículas divinas. Porém, encontrar e deixar que se manifestem tais partículas exige coragem para deixar a correria de lado, olhar verdadeiramente para dentro de si mesmo e refletir constantemente sobre que modelos pretendemos seguir, com quem ou o que pretendemos parecer.
Apenas nos dando o tempo necessário para olhar para nós mesmos e para Cristo é que deixaremos de nos comportar e deixar que nos tratem como patinhos feios, para assumir nossa real dignidade de cisnes!
Para completar tem ainda São Paulo dizendo aos Romanos (capítulo 8):
“Pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai! O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados. Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios. Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas?”

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Se escolhi ser cristão, católico e cursilhista, escolho também...


 (baseado nos dctos – DGC, GS,ChL)
- Ter Jesus como modelo de mestre e servidor e ser fiel a esse modelo.
- Assumir seu chamado com entusiasmo e como realização da minha vocação batismal.
- Comprometer minha vida em benefício de mais vida para meu próximo.
- Assumir corajosamente meu batismo e fazer parte da minha comunidade, atendendo com boa vontade ao que a minha Diocese sugere como prioridades.
- Buscar maturidade humana e equilíbrio psicológico.
- Com base na busca de formação crescer no equilíbrio afetivo e no senso crítico, na unidade interior, na capacidade de relações e de diálogo.
- Alimentar-me das inspirações do Espírito Santo para transmitir a mensagem com coragem, entusiasmo e ardor.
- Nutrir-me da Palavra, da oração, da Eucaristia e da devoção mariana, alimentar minha espiritualidade de modo que minha ação nasça do testemunho da minha própria vida.
- Descobrir o rosto de Deus nas pessoas, nos pobres, na comunidade, no gesto de justiça e partilha e nas realidades do mundo, ”a fé em seu conjunto deve enraizar-se na experiência humana, sem permanecer na pessoa como algo postiço ou isolado”.
- Conhecer a fé cada vez mais pois ela ilumina a existência e dialoga com a cultura.
- Abrir-me aos problemas reais e ter sensibilidade cultural, social e política.
- Ser sensível à defesa da vida e as lutas do povo.
- Cuidar com esmero da minha auto-formação, buscar preparação e estar disposto a aprender sempre mais para dar testemunho convincente de fé tendo intimidade com a Palavra de Deus e com a doutrina e a reflexão da Igreja e ajudando a melhorar a Escola Vivencial do MCC.
- Cultivar amizades, prestar atenção nas pessoas, estar atento a pequenos gestos que alimentam relacionamentos positivos. A delicadeza diária, simples, também é um anúncio do Reino de amor de Deus em nossos ambientes.
- Estar atento às mudanças que ocorrem na sociedade, à inculturação da fé no mundo de hoje é cada vez mais desafiante.
- Estar atento ao fato de que a família é o berço da evangelização, os valores nela adquiridos fecundam e abrem o coração para os caminhos da fé, a formação recebida em casa tem influência forte na maturidade da fé dos adultos, por isso estar sempre pronto a ajudar pessoas que tiveram experiências familiares menos positivas a encontrar em nossas comunidades espaço e estímulo para superar suas dificuldades.
- Cuidar do planeta, reciclar cuidadosamente o lixo, consumir o mínimo possível, cobrar dos poderes constituídos transporte coletivo de qualidade, saúde e educação pública e gratuita para todos.
- Não me negar a participar, quando convidado, de associações e conselhos que visem ao bem comum.
- Conhecer a pluralidade religiosa presente até mesmo em nossas famílias, para saber dialogar e respeitar as diferenças.
- Sentir-me pessoalmente responsável pela minha paróquia e pelo Movimento de Cursilhos de Cristandade.  
                                                                                 

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tomé



“Era o primeiro dia da semana. Ao anoitecer deste dia, estando fechadas as portas do lugar aonde se achavam os discípulos por medo das autoridades dos judeus, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: A paz esteja com vocês.[...] Tomé, chamado Gemeo, que era uns dos doze, não estava com eles quando Jesus veio.  Os outros discípulos disseram para ele: Nós vimos o Senhor. Tomé disse: se eu não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar as minhas mãos no lado dele, eu não acreditarei.” Jo 20, 19-25
Quão Tomé somos todos nós?
A pergunta foi proposta em uma das assembléias do Cursilho, por Dom Laurindo, então Bispo da Diocese de Foz do Iguaçu.
De fato. Quantas vezes nós não nos envolvemos, não assumimos responsabilidades, não nos comprometemos, sequer comparecemos e depois ainda nos achamos no direito de duvidar daqueles que acreditam?
É necessário ficar atento a isso.
É comum observarmos algumas pessoas se afastando do Movimento de Cursilhos e até mesmo da Igreja, sem nenhuma grande razão, simplesmente porque permitiram que a distância aumentasse.
Trilhas que ficam por muito tempo sem uso, tendem a criar mato, dificultando a passagem, até que desaparecem completamente.
Quando deixamos de comparecer a uma Escola Vivencial ou Assembléia Mensal, pode ficar bem fácil também não participar da próxima. Quanto menos participamos mais nos esquecemos dos motivos que nos levariam a participar, das maravilhas que já vimos acontecer em nossas vidas e nas vidas de outras pessoas, do crescimento, da formação, da amizade especial que é cultivada entre cursilhistas... Até chegar ao ponto em que duvidamos de todas essas coisas: não vamos, não vemos e depois questionamos!
Não é para qualquer um. Compromisso incondicional é realmente para poucos. É para quem não tem qualquer outra prioridade a não ser estar a postos para receber e testemunhar Jesus.