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segunda-feira, 11 de julho de 2022

A VOLTA DO BOM SAMARITANO

            

     

     Entre as muitas histórias contadas por Jesus está a Parábola do Bom Samaritano. Jesus a contou em resposta ao questionamento de um “mestre da lei” (que talvez estivesse mais interessado em ser liberado por Jesus do dever do amor em relação a alguém do que realmente em saber quem é o  próximo). Na parábola Jesus mostra que é nosso próximo qualquer pessoa a quem possamos de alguma maneira colaborar, contando sobre o samaritano que, vendo um homem caído no meio do seu caminho, sente compaixão, cuida de suas feridas, o transporta em seu próprio animal e arca com os custos de sua hospedagem em uma pensão. O detalhe é que antes do samaritano, um sacerdote e um levita já haviam se deparado com o homem caído mas seguiram adiante, “pelo outro lado”.

            A história nos leva a pensar sobre o levita e o sacerdote, cumpridores de seus deveres religiosos mas que não quiseram tocar um doente para não se tornarem impuros, enquanto o samaritano, originário de um povo que não era bem visto pelos judeus, se aproxima da pessoa necessitada e o ajuda, com suas próprias mãos e seus próprios recursos.

            É interessante observar que ele reconhece a necessidade do outro e prossegue em sua viagem. Podemos pensar que esse homem tinha também outros deveres, compromissos, precisava cuidar também da sua vida, não poderia largar tudo para cuidar do homem caído na estrada, mas fez o que suas condições permitiam e seguiu. Assim também deveríamos ser todos nós, mantendo atenção às necessidades dos que estão ao nosso redor mas ao mesmo tempo seguindo nossos trabalhos, cuidando de nossas famílias, não esquecendo de nossas próprias necessidades, ajudando e vivendo, dentro de uma normalidade, sendo quem somos, não sendo necessários grandes gestos de abandono de qualquer interesse pessoal a favor do outro, mas integrando o outro aos nossos interesses (“ao teu próximo como a ti mesmo”). Ou seja, não é necessário abandonar a própria viagem, mas também não podemos seguir “pelo outro lado”.

            Ouvindo a história surge a curiosidade sobre a volta do samaritano à pensão. Como foi recebido pelo homem a quem ajudou? Será que agora recuperado ele seria grato? Será que ele se apressaria em retribuir ou pagar ao samaritano pelos gastos que teve? Talvez se propusesse a acompanhar o samaritano a partir de então, para também ajudar outras pessoas com necessidades? Por outro lado, talvez fosse mal recebido, quem sabe o homem ajudado fosse também alguém preconceituoso que preferia não ter contato com um samaritano? Talvez recriminasse o seu benfeitor dizendo que queria morrer e que deveria ter sido deixado no caminho para isso? É possível que no retorno do samaritano o homem até já tivesse ido embora da pensão, não tendo sequer aguardado para dizer um muito obrigado e retornando ao mesmo caminho e perigos que o deixaram entre a vida e a morte anteriormente...

            Não sabemos, Jesus não continuou a história e não continuou simplesmente porque não interessa. O samaritano fez-se próximo do homem caído, não fazendo diferença na sua ação se aquele homem também se faria seu próximo. A bondade do samaritano já está demonstrada, independente das ações de quem recebeu essa bondade.

            Tudo o que acontece depois do ato de amor, de bondade, já não é importante. O bem já está feito, tanto para quem o recebe como para quem o pratica.

            Mas quantas vezes cobramos das pessoas a quem de alguma forma ajudamos que elas sigam o caminho que nós é que entendemos que seria o melhor para elas? Quantas vezes esperamos reconhecimento e gratidão de forma a sermos nós mesmos os beneficiários de nossa própria bondade? Quantas vezes nos comportamos como se os demais estivessem sempre nos devendo algo? Ou julgamos pessoas que participam conosco de momentos especiais em um encontro ou movimento e que talvez depois não seguem exatamente o mesmo rumo que o nosso? Ou ainda, como o sacerdote e o levita escolhemos aqueles que seriam mais ou menos dignos de nossas ações?

            Devemos insistir nos convites, nos chamados, nos esforços, mas nunca é demais refletir sobre o fato de que o único comportamento sobre o qual realmente temos algum controle é o nosso próprio e não exigir que as pessoas atendam as nossas expectativas ou depositar fardos nos ombros de outros.

            É necessário fazer a nossa parte e seguir viagem.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Creio na Santa Igreja Católica

Quando criança, mesmo sendo católica, estudei na Escola Adventista, aonde tive excelentes professores e um cuidadoso ensino religioso. Era costume da escola levar os alunos à Igreja, que fica junto da escola, e nos incentivar a participar de algumas celebrações. Eu achava bonito o quanto todos se conheciam e pareciam se querer bem.

Mais tarde, tive a alegria de me tornar membro do Movimento de Cursilhos de Cristandade, e a partir dele descobrir que também entre católicos é possível ter aquele sentimento de comunidade. A partir de então, quando participo da missa em Guarapuava, conheço a maioria dos padres e eles também me conhecem, muitos ali presentes sabem da minha família, nos visitam quando temos problemas, preocupam-se com as nossas perdas, curtem as nossas alegrias, ouvem até mesmo os nossos conselhos. Quando participo da missa em Guarapuava, estou entre amigos, estou em família.

Não abro mão deste sentimento de comunidade por nada. Nenhuma espiritualidade cultivada na solidão supre o que a comunidade me fornece.

Essa comunidade tem uma história incrível, de muitos e graves erros, mas também de enormes acertos que nos trouxeram até aqui e contribuíram para muitas das conquistas de que usufruímos até hoje não apenas como católicos, mas como pessoas e cidadãos.

Durante o período de férias, em que tive o privilégio de poder passar alguns dias fora da rotina, no litoral, tive a oportunidade de participar da missa em uma igreja que não é a minha, de todas as semanas.

Nos mesmos dias em que eu estava lá, alguns acontecimentos agitavam a minha igreja, pedaço da minha casa, em Guarapuava.

Participar de uma celebração em uma igreja “desconhecida” me fez refletir sobre tais acontecimentos. Foi muito interessante celebrar com um padre cujo nome eu nem sei. Também não conhecia qualquer dos ministros da Eucaristia. Não tenho ideia de quem eram as pessoas cantando, proclamando as leituras e tudo o mais. Não conheço o passado daquelas pessoas, suas profissões, se são bons vizinhos, esposos fieis ou não... Não sei nada disso e não preciso saber.

Foi muito interessante participar da missa e perceber que as pessoas que estão ali são simplesmente instrumentos passageiros, como também eu sou. Perceber que por mais que eu tenha padres amigos, a quem admiro muito e por quem tenho enorme carinho, a minha fé e a minha participação na Igreja não dependem deles.

A cada celebração temos a oportunidade de repetir que cremos em Deus Pai, que cremos em Jesus Cristo e que cremos na Santa Igreja Católica.

Em nenhum momento rezamos que cremos no bispo ou neste ou naquele padre.

Ao contrário, quando a eles nos referimos pedimos (diretamente a Jesus já presente na Eucaristia) que, junto com a Igreja (e assim junto conosco), cresçam sempre em caridade.

É o que pretendo continuar sempre pedindo para mim, para os padres, religiosos e religiosas e todos os demais.

Isso não significa que eu ignore as decepções que seres humanos podem nos causar. Isso não significa que erros não devam ser investigados.

Fui a uma Igreja em que eu não conhecia ninguém, mas eu sou absolutamente conhecida pelo único que lá me interessava: Cristo. Eu não o conheço completamente, mas Ele me conhece e, ainda assim, me ama e me aceita.


É por Ele que seguimos, apesar das pessoas, apesar de nós mesmos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Apenas células?

Recentemente passei por duas experiências marcantes na vida de qualquer pessoa e especialmente na vida de uma mulher. Tive a alegria de saber que estava grávida e a tristeza de saber que o meu bebê havia parado de se desenvolver com 9 semanas de vida.

Já havia lá um forte coração que ainda na sexta semana de gestação eu e o pai dele ouvimos.

Na oitava semana o coração ainda batia forte, mesmo em um corpinho de apenas 2 centímetros, aonde os dois hemisférios cerebrais já começavam a ser vistos na ecografia.

Não era o plano divino que esta vida continuasse conosco e eu agora já assimilei muito bem isto, compreendendo que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus. Sempre.

Porém, algo que vi publicado nas redes sociais há alguns dias quase me causou mais pesar do que a perda do bebê.

Foi muito doloroso ler uma publicação afirmando que até a 12ª semana trata-se apenas de um amontoado de células.

Eu gostaria então de dizer a quem compartilhou e acredita nisto que eu e meu marido não perdemos um amontoado de células, nós perdemos um filho ou uma filha.

Afirmações do tipo “a mulher é dona do seu corpo” nunca me convenceram, afinal de contas: e do corpo do bebê, quem é dono? Mas agora, depois de ter vivido a experiência de ser mãe estou ainda mais convencida de que durante os dias em que tive meu bebê comigo eu é que pertencia a ele.

Penso que levar ou não adiante uma gestação é decisão que recai sobre a consciência dos pais, cabendo a estes decidir sobre seus padrões morais e as consequências de suas escolhas, sendo discutível até que ponto cabe ao Estado interferir.

O que não admito é que se afirme que não se trata de uma vida. 

domingo, 9 de agosto de 2015

Cuide da minha joia



“Cuide da minha joia”

Há quem diga que o ritual do pai levar a filha até ao altar, aonde a entrega ao genro, seria uma celebração do machismo e de relações patriarcais, em que a mulher sairia do jugo de um homem passando a ser propriedade de outro.
É possível que tenham pequena medida de razão.

Mas eu aqui vejo a celebração de anos de depósitos diários de amor, dedicação, preocupação, sono perdido, alegria, orgulho e cuidado com tantas pequenas e grandes necessidades e aprendizados que um filho proporciona. Aqui eu vejo as recordações da vida toda passando enquanto se caminha pelo corredor da Igreja com a sensação de segurar ainda a mão de uma menininha.

Ali o coração e a garganta apertam. Ali a pergunta é: “amará como eu amo”?

O passo seguinte é o respeito à decisão da filha, o reconhecimento à coragem do genro (coragem que um dia também teve diante de outro grande pai e imitando o seu próprio) e ainda mais amor, agora aos dois. É um ato de confiança em Deus e em tudo que passou a vida sendo e ensinando: “agora é com vocês”.

Um abraço, um beijo e uma recomendação ao novo filho: “cuide da minha joia”. Todos aplaudem porque sabem que grande pai você é.

Com confiança e com a mesma medida de cuidado foi que meu pai fez de mim o que eu sou. Acompanhando cada pequeno e grande passo, sentindo as ausências, permitindo voos e me amando incondicionalmente.

Caráter, seriedade, simpatia, amor a Deus e disposição que deixaram e deixam marcas em mim e no meu irmão e nos serão sempre grande inspiração.

Obrigada pai por ter sempre feito com que eu me sentisse uma joia. Obrigada por ser generoso com sua joia.

Muito obrigada por ser tão pai, pai!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Dia do Amigo



O Dia do Amigo é realmente um dia que vale a pena ser lembrado e aproveitado para se enviar um abraço, um oi, uma foto, seja o que for, para aqueles que preenchem a nossa vida de alguma maneira especial.

Nestes tempos em que precisamos estudar tanto, trabalhar mais ainda, incentivados sempre à competitividade, talvez fique cada vez mais difícil encontrar verdadeiros amigos. Encontrar pessoas com quem nos identificamos e que sintam como suas as nossas alegrias e tristezas, nossos sucessos e frustrações.

Graças a Deus tenho várias dessas pessoas na minha vida.

Pensando nisto lembrei hoje de duas passagens bíblicas que nos devem servir sempre como alerta nos nossos relacionamentos.

Uma foi a parábola do filho pródigo, ou, melhor ainda, do Pai Rico em Misericórdia. Recordei aí a figura do irmão mais velho, indignado pelo fato do Pai celebrar o retorno do mais jovem, chateado porque sempre esteve ao lado do pai e parece não se sentir reconhecido. A ele o pai apenas diz: você não sabe que tudo o que é meu, é teu? (Lc 15,31)

Outra parábola fala de um empregador que durante todo o dia convidou pessoas para com ele trabalhar e ao final da jornada remunerou a todos da mesma maneira, sem diferenciar os primeiros dos últimos. Os da primeira hora também ficam indignados e ouvem do empregador: por acaso não estou distribuindo do que é meu? Por acaso não estou lhes pagando exatamente o que prometi desde o início? (Mt 20, 13-16)

Como é revigorante conviver com pessoas que cuidam de seus próprios interesses, correm atrás de suas metas, sabendo que seu sucesso depende só de si, sem qualquer relação com o sucesso alheio. Se o outro é reconhecido, isto nada muda no reconhecimento que meus esforços também merecem. Se o que me foi prometido está garantido, nada me importa sobre o que é prometido aos demais.

O sentido que dou à minha vida, meus estudos ou meu trabalho cabe apenas a mim e não a qualquer outra pessoa. O problema é quando o sentido falta e o preencho na observação dos êxitos alheios e não para os comemorar.

Feliz dia do “rir com os que riem” e do “chorar com os que choram”! (Rm 12,15)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Papo de Dia de Santo Antônio



Certa vez, em uma conversa com uma amiga (comadre) muito querida, eu me queixava por estar sozinha e lamentava alguma “desventura” sofrida à época. A amiga, atenciosa, ouviu toda a chorumela e em resposta simplesmente perguntou: “e a dissertação do mestrado, já está pronta?”.

Não esqueci mais da lição e sempre passo adiante.

Um príncipe ou uma princesa não resolverá nenhum vazio na tua vida. Você resolverá.

Há aspectos de nossa vida sobre os quais nós temos controle, enquanto há outros que, por maior que seja nosso esforço e merecimento, não conseguiremos alterar.

Muitos passarão por nossa vida e não se darão conta da pessoa especial que tiveram ao lado delas. Muitos passarão por nossa vida e até perceberão as nossas qualidades, mas concluirão que ainda não é a hora deles. Outros ainda serão realmente mal intencionados, sem nenhum escrúpulo em nos fazer sofrer, buscando apenas a sua satisfação pessoal e momentânea.

Será assim. E pronto.

Enquanto isso o que resta é cuidar da própria vida, afinal ela é a única vida sobre a qual temos algum controle.

Se não tem como “trazer a pessoa amada em 3 dias”, há outras maneiras de se ter uma excelente vida até que essa pessoa chegue.

A lição então é: “cumpra as tuas obrigações”, “ocupe teu tempo com você”.

Eu sei gente, isso é lugar comum nos conselhos de revistas femininas: “se você não gostar de você, ninguém gostará”, “cultive teu jardim para que as borboletas venham...” Nunca gostei de ouvir ou ler isso.

Penso que o erro nestes conselhos é passar a impressão que o objetivo de amar-se é obter o amor de outros. Nada disso. Mas acontece que é evidente que quem gosta de si mesmo, é mais feliz. É óbvio que um jardim bem cuidado é bem melhor do que um jardim abandonado... venham as borboletas ou não!

Não fique aí suspirando pelo que ainda não existe e negligenciando o que já tem nas mãos. Trabalhe, reze, estude, faça voluntariado, dê atenção às pessoas. Cultive teu relacionamento familiar, teu relacionamento com Deus. Coloque o melhor de você naquilo que você precisa fazer hoje.

Não há nada que nos faça sentir tão bem conosco mesmos do que a sensação de dever cumprido.

Enquanto o amor não chega, ocupe-se em deixar tua marca positiva em tudo o que você fizer, assim, ainda que talvez o amor não venha, você terá vivido uma vida que valeu a pena, que influenciou a vida de outras pessoas, que teve sentido e que, como bônus, te tornará alguém muito mais interessante.

Sim, se você for assim vai escutar milhões de vezes: “como pode alguém como você ainda estar sozinha(o)?”.

E assim como estes teus amigos, familiares e conhecidos enxergam isso, mais cedo ou mais tarde alguém, com qualidades parecidas com as tuas, também enxergará.

E justamente os detalhes que você pensava serem defeitos e te convenciam de que talvez o problema fosse você, se tornarão as razões que te farão única(o) aos olhos de alguém que também será único para você.

Tudo acontecerá sem esforço. Você será quem você é, ele(a) será quem ele(a) é e nada no mundo será melhor do que estar juntos.

A espera não é fácil, mas ninguém nunca morreu disso. Só não adie a tua vida para quando o amor vier, ele vai preferir alguém vivo e que não fica de mimimi e cara feia!



PS¹: esse foi escrito, com todo o carinho do mundo, para as minhas lindas alunas do primeiro período de Direito e para as lindas jovens cursilhistas, que têm uma vida ainda mais linda que elas pela frente!

PS²: deixem Santo Antônio em paz e vão ler um livro!

terça-feira, 19 de março de 2013

De onde vim? Para onde vou?




Minha oração de ontem foi sobre um trechinho do Evangelho de São João 8, 12-20.

Nesta passagem algumas pessoas estão questionando Jesus, dizendo que o que Ele diz e faz não pode ser levado em consideração porque Ele dá testemunho sobre Ele mesmo, afirmando ser a luz do mundo. E essa é a resposta de Jesus:
“Embora eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é válido, porque eu sei de onde venho e para onde vou”.

Quem de nós pode afirmar o mesmo?
Quem tem certeza sobre o lugar que ocupa, a que veio, para que serve? Quem tem certeza a ponto de transbordar tal confiança que outros também se sentirão motivados a cultivar a mesma fé?

Tantas vezes nos parece que estamos nos esforçando, fazendo muito, falando tanto, mas parece que ninguém escuta.

Talvez seja o sinal de que está na hora de parar um pouquinho e recuperar as razões por que fazemos e falamos tanto. Enquanto não estivermos totalmente convictos sobre aquilo que nos move, não convenceremos ninguém.

E aí me veio a outra grande frase de ontem: “A oração é fundamental para que se imprima um novo afeto por Jesus”.

Cultivar momentos de oração é o que fará a diferença, é o que nos ajudará a saber quem somos, por que estamos aqui e qual a nossa missão.

Ter certeza da própria missão/vocação é o que dá credibilidade a quem fala e age. Quando quem convida sabe de onde veio e para onde vai, outras pessoas seguem sem medo, ouvem sem dúvida.

E que bom é conviver com pessoas que sabem quem são. Sabem tanto que não se importam com o que outros saibam, digam ou pensem sobre elas.

É assim que nos tornamos inteiros, completos, sem medo, animados, sempre relembrando aonde depositamos nossa fé, aonde está nosso coração, sem nenhum talento enterrado, enfim, vivendo em abundância.

sábado, 16 de março de 2013

Sobre gente leve



Tem gente que é assim, fácil, sem drama, sem briga, sem cara feia, sem tempo ruim.
Gente que entende piada, seja das boas ou as mais idiotas. Gente que faz as piadas mais idiotas.
Gente que sabe levar adiante uma conversa boba, uma besteira, deixando-a cada vez pior. Gente que leva adiante qualquer conversa, até as sérias.
Gente que não está preocupada em provar nada a ninguém.
Gente que presta atenção ao que os outros dizem e fazem. Gente que lembra de histórias, gente que lembra de músicas. Gente que lembra.
Gente que tem fé.
Gente que elogia.
Gente que, se dá para facilitar, não complica.
Gente que gosta de família.
Gente que cuida dos amigos.
Gente que reconhece outras gentes assim.
Gente que não está preocupada em ensinar os outros sobre como devem viver.
Gente que é boa companhia.
Eu gosto de gente assim. Eu quero ser gente assim.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

EXPECTO PATRONESSE!




Tem essa coisa de bater o santo sabe?
Algumas vezes teu santo se acerta com o santo de uma pessoa.
Para nós, professores, algumas vezes o santo bate com o santo de toda uma turma... e a gente sabe disso logo no começo.
Hoje estamos nos “despedindo” de uma turma assim. O santo deles bateu com o meu, com o de vários outros professores e inclusive com o santo da faculdade. Foi simples assim, a gente resolveu de cara que gostava uns dos outros, que gostava de trabalhar junto, que gostávamos do lugar aonde trabalhamos e estudamos e foi um passeio!
Eles são o tipo de gente que eu mais gosto. Gente que conhece e briga por seus direitos, mas que nunca esquece que também tem deveres. Gente que sabe a hora de se divertir (e muito!) e sabe a hora de trabalhar (mais ainda!).
Contei com muitos deles durante os cinco anos que estiveram com a gente. Não importava qual era o convite: Uma tarde pintando o rosto de crianças? Palestras em escolas? Blitz na chuva? Churrasco? Pintar/derrubar parede? Júri Simulado? Cerveja? Escrever uma cartilha? Animar crianças doentes em hospitais? 16 horas em um micro-ônibus? Pizza? Mutirão de audiências? A resposta sempre foi sim.
Não posso lembrar de um dos projetos sociais e campanhas da Faculdade Campo Real em que alunos desta turma não estivessem envolvidos. Não posso lembrar de churrascos mais divertidos.
Ainda por cima, um montão deles nos mata de orgulho tendo passado no exame da OAB ainda bem antes da formatura... não é mesmo para viver elogiando por aí?
Tive a alegria da amizade desse povo por estes cinco anos e claro que continuarei contando com ela daqui para frente. Essa amizade se concretizou na homenagem que me fazem ao me escolherem como patronesse da turma.
E aí lembrei do Harry Potter! O Harry e os outros bruxos, para afastar os dementadores (espécie de entidades do mal que, ao se aproximarem sugavam das pessoas toda a sua energia, ânimo, alegria), precisava invocar o seu patrono. Trata-se de um “feitiço” especial, que, quando bem executado, faz aparecer a imagem do patrono, que funciona como um escudo contra os dementadores.
Um detalhe interessante é que para conseguir invocar o patrono o bruxo precisa ter em mente um pensamento bem feliz.
Então, toda essa enrolação aqui é para dizer que comecei o texto com a ideia de, já que sou a patronesse, me oferecer para que me chamem, quando precisarem e principalmente quando correrem o risco de desanimar diante das dificuldades da vida. Estarei sempre aqui para uma frase de apoio, uma oração, uma cerveja. Invoquem a patronesse quando quiserem!
Mas me dei conta que, na realidade, essa turma se junta a alguns outros alunos especiais que estão sempre na minha memória, e vocês é que passam a ser os meus patronos. Vocês serão sempre um pensamento feliz a que eu vou me reportar quando estiver cansada ou duvidando da minha vocação e das escolhas que fiz até hoje.
Muito obrigada por esse tempo juntos. Muito obrigada por fazerem valer a pena ser professora e ser a professora que eu sou.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Meu Abaixo-assinado



Em um trecho do livro “Comer, rezar e amar” (sim, leitura de mulherzinha), a autora e personagem principal, Elizabeth Gilbert, está passando por um momento triste da sua vida e recebe a sugestão de fazer um abaixo-assinado.
Trata-se de um abaixo-assinado imaginário, em que ela deveria listar os nomes de todas as pessoas que não titubeariam em assinar um pedido, endereçado a Deus, solicitando tudo o que houvesse de melhor para a vida dela.
Era um exercício bastante interessante, com o intuito de demonstrar a ela, e a qualquer de nós que siga a sugestão, que mesmo quando a vida não está lá aquela maravilha, contamos com muitas pessoas que realmente se comprometeriam com o nosso bem.
Acabei de fazer aniversário e vejo que essa é ocasião oportuna para verificar quantos e quais nomes constariam do meu abaixo-assinado dirigido a Deus. E olha, há muita gente na minha lista.
Há pessoas que renovam a assinatura todos os anos, há muito tempo. Outros começaram a assinar agora, mas com o mesmo comprometimento.
Há quem tenha assinado por obrigação. Outros assinam por consideração, porque não podiam simplesmente não dizer nada.
Há nomes que já foram mais constantes e que fizeram falta nesse ano.
Há os que nem viram o que assinaram e apenas garantiram que eu também assine, quando for a sua vez.
Há ainda quem, além de assinar, fez questão de telefonar de muito longe ou me encontrar pessoalmente para dizer o quanto deseja que os pedidos constantes do abaixo-assinado sejam deferidos!
Alguns vieram um pouquinho atrasados, mas são tão bem vindos quanto. Inclusive, as assinaturas continuam sendo aceitas, a cada dia dos meus desaniversários!
Faltaram alguns abraços importantes, é verdade. Mas todos os outros que não faltaram estão aí para mostrar o quanto eu mereço que meus pedidos sejam atendidos.
Então, a todos vocês que me assinam embaixo: Muito Obrigada!

domingo, 20 de janeiro de 2013

Com quem andas...




"A conclusão da semana foi: não ser como meus amigos..."

Foi o que me disse um amigo, refletindo sobre como anda se sentindo e sobre coisas que lhe andaram acontecendo.
Depois de alguns dias convivendo com alguns dos meus amigos, de diferentes épocas e rodas, lembrei daquele comentário e pensei: “preciso ser mais como os meus amigos.”

Tenho amigos de infância, amigos do tempo de faculdade, amigos do trabalho, amigos da Igreja (principalmente do Cursilho).

São amigos de todo tipo, homens e mulheres, de longe e de perto, solteiros e casados, jovens e mais velhos, alunos e ex-alunos... cada um me traz sempre algo de que preciso.

Tenho muitos amigos em cuja vida e caráter posso me inspirar.

Tenho muitos amigos de coração, ouvidos e casas abertas para mim sempre.

Tenho muitos amigos que sempre sabem o que dizer e sempre vivem o que dizem.

Tenho muita gente especial ao meu redor e são eles que dão cores a minha vida.

Gente que mostra o que há de bom em mim e que me ajuda a ser melhor.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

SOBRE O TEMPO E O NOVO ANO



Pensamentos sobre o tempo e sobre o novo ano, furtados da minha amiga Ana Maria Ribeiro:


" Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu" (Ecl3,1)


O capítulo 03 do livro do Eclesiastes ( 1-8) nos lembra que, na vida, há um tempo para cada coisa. Entretanto, nós, seres humanos nem sempre conseguimos entender essa verdade bíblica. Isso se deve ao fato de que vivemos em uma sociedade imediatista e que busca respostas para tudo segundo seus próprios critérios, ignorando, assim, a ação e o tempo de Deus. No entanto, é necessário ter paciência e respeitar o ciclo natural da vida para compreendermos que nem tudo acontece segundo nossa própria vontade.
A vida é marcada por ciclos que norteiam a caminhada e o cotidiano de toda pessoa. Os ciclos ajudam a perceber que é necessário recomeçar sempre, porém, sem desconsiderar cada etapa já vivida ou celebrada. Estamos, agora, iniciando um novo ano. Nesse período é comum ouvirmos dizer: "como o ano passou rápido", "não tive tempo para fazer tudo o que tinha planejado", "preciso dar mais tempo à minha família", "não tive tempo para cuidar de mim", enfim ouvimos lamentações e lamúrias pelo ano que se foi ou pelas coisas que não foram realizadas e, muitas vezes, nós nos esquecemos de pensar no ano que estamos começando.
Por isso, é preciso planejar, organizar, programar aquilo que será feito neste novo ano. Do contrário, ao chegarmos ao final dele, ouviremos ou diremos as mesmas coisas que realmente são ditas e ouvidas em relação a cada ano que termina.
Diante das constantes mudanças pelas quais a sociedade, o mundo - e também cada pessoa - passam, é necessário recomeçar sempre. Porém, isso nem sempre é fácil. A cada ano que se inicia temos a oportunidade de rever nossos valores, conceitos, prioridades, gestos, atitudes e escolhas. Essa revisão precisa ser levada muito a sério, pois é a partir dela que iremos guiar nossas vidas. É preciso, então, termos a coragem de admitir que, em algumas vezes, tomamos a decisão errada, magoamos, ofendemos, machucamos familiares e amigos com palavras agressivas e, por isso, é preciso mudar. 
O que não podemos perder de vista é a necessidade de vivermos todos os momentos com respeito e responsabilidade, pois, cada momento é único e irrepetível. Há circunstâncias que nos marcam para toda a vida, seja positiva ou negativamente e, por isso, é conveniente que aprendamos com os fatos, alegrando-nos com as coisas boas e buscando não recair nos mesmos erros e equívocos.
Como nos diz o Eclesiastes, "há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar a planta. Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de destruir e tempo de construir. Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de gemer, e tempo de bailar. Tempo de atirar pedras, e tempo de recolher pedras; tempo de abraçar, e tempo de se separar. Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora. Tempo de rasgar, e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar. Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra,e tempo de paz" (Ecl 3,2-8)
Que neste ano de 2013 saibamos respeitar o tempo para que tudo aconteça segundo a vontade de Deus. Que possamos aprender com as perdas e as alegrias. Que tenhamos confiança diante das quedas e decepções. Que possamos sorrir com as conquistas e as vitórias. Que a luta pela vida plena de todos os seres humanos seja a nossa maior bandeira. Que sejamos reconhecidos pelo amor e pelo bem que fizermos aos outros. Que, enfim, em tudo, DEUS SEJA NOSSO MESTRE E GUIA. 
Um bom recomeço a todos e que Nossa Senhora, Mãe de Deus, seja nossa companheira de jornada. 
Shalom!!!!!!!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

"Queres ser curado?"




“Queres ser curado?”
Foi a pergunta que Jesus fez ao paralítico às margens da piscina de Betesda. O doente primeiramente atribui sua dificuldade ao fato de nunca ter alguém que o colocasse na piscina para ser curado. Jesus então ordena: “Levanta-te, toma o teu leito, e anda”. E ele foi curado[1].

Há alguns dias andei enfrentando um pouco de deserto. A gente sabe que faz parte da vida uns momentos de dúvida, altos e baixos, decepções, faltas... Mas apesar de sabermos, há vezes em que não conseguimos assimilar e organizar os pensamentos com facilidade e fiquei um tanto paralisada.

Talvez o maior susto foi um dia que uma amiga comentou: “você já melhorou né? Tá com uma carinha melhor...”, e eu percebi que eu não queria ter melhorado. Eu queria continuar triste, eu queria continuar ruminando, eu queria, talvez, que continuassem se preocupando comigo para, quem sabe, alguém resolver o que estava me incomodando.

Só que ninguém resolve.

Eu tenho certeza de que conto com muitas pessoas que fariam de tudo para nunca me verem triste, mas há situações em que ninguém pode fazer nada, a não ser eu.

Até que chega o ponto em que você tem que encarar a pergunta: “Quer ser curado? Quer que isso passe? Ou vai continuar esperando que alguém te jogue na piscina?”

Até que chega o ponto em que você levanta, pega o leito e anda, porque não é culpa de ninguém se você ainda não fez isso.

Acho interessante o detalhe do paralítico levar o leito com ele. Ele não deixa o passado totalmente para trás, ele não esquece. Mas acontece que carregar o leito é bem diferente de passar o resto da vida deitado sobre ele.

Carregar o leito é entender que certas dificuldades nunca nos abandonarão, é admitir vazios que serão nossa companhia, ausências que não serão preenchidas, mas que mesmo assim é possível andar.

Há sim na vida acontecimentos e sentimentos absolutamente sem sentido. Fatos não têm sentido. Pessoas dão sentido aos fatos.

“É a maneira pela qual vivemos um acontecimento que o vai transformar num sepulcro ou numa porta”.[2]

Façamos as pazes com a vida e andemos.


[1] Jo 5, 1-18
[2] PACOT, Simone. A evangelização das profundezas. Aparecida: Santuário, 2001. p. 40.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

CRIMINOLOGIA E MÚSICA DO DIA: Músicas sobre o "Mal-Estar" na vida urbana

Aqui vão algumas músicas que tratam um pouco sobre a superficialidade dos laços na vida urbana, o que está diretamente relacionado as nossas reflexões sobre a Escola de Chicago.

Alguém lembra de mais músicas sobre este tema?

Aqui tem Pearl Jam, Radiohead (que poderia ter várias), Red Hot Chilli Peppers, Ira, Engenheiros do Hawai e Criolo...



Fake Plastic Trees Radiohead
A green plastic watering can
For a fake chinese rubber plant
In the fake plastic earth

That she bought from a rubber man
In a town full of rubber plans
To get rid of itself

It wears her out, it wears her out
It wears her out, it wears her out

She lives with a broken man
A cracked polystyrene man
Who just crumbles and burns

He used to do surgery
For girls in the eighties
But gravity always wins

And it wears him out, it wears him out
It wears him out, it wears him out

She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My fake plastic love

But I can't help the feeling
I could blow through the ceiling
If I just turn and run

And it wears me out, it wears me out
It wears me out, it wears me out

And if I could be who you wanted
If I could be who you wanted
All the time, all the time 

Falsas árvores de plásticos
Um regador verde de plástico
Para uma falsa planta chinesa de borracha
Na Terra artificial de plástico

Que ela comprou de um homem de borracha
Em uma cidade cheia de planos de borracha
Para se livrar de si mesma

Isto a desgasta, isto a desgasta
Isto a desgasta, isto a desgasta

Ela mora com um homem falido
Um homem de poliestireno rachado
Que apenas se esfarela e queima

Ele costumava fazer cirurgias
Em garotas nos anos oitenta
Mas a gravidade sempre vence

E isto o desgasta, isto o desgasta
Isto o desgasta, isto o desgasta

Ela parece ser real
Ela tem sabor de real
Meu amor artificial de plástico

Mas não posso evitar o sentimento
Eu explodiria através do teto
se eu apenas me virasse e corresse

E Isto me desgasta, isto me desgasta
Isto me desgasta, isto me desgasta

Se eu pudesse ser quem você procura
Se eu pudesse ser quem você procura
o tempo todo, o tempo todo


http://www.vagalume.com.br/radiohead/fake-plastic-trees-traducao.html#ixzz25SuQpIVe





I Am Mine Pearl Jam
The selfish, they're all standing in line
Faithing and hoping to buy themselves time
Me, I figure as each breath goes by
I only own my mind

The North is to South what the clock is to time
There's east and there's west and there's everywhere life
I know I was born and I know that I'll die
The in between is mine
I am mine

And the feeling, it gets left behind
All the innocence lost at one time
Significant, between the lines
There's no need to hide...
We're safe tonight

The ocean is full 'cause everyone's crying
The full moon is looking for friends at high tide
The sorrow grows bigger when the sorrow's denied
I only know my mind
I am mine

And the meaning, it gets left behind
All the innocents lost at one time
Significant, behind the eyes
There's no need to hide...
We're safe tonight

And the feelings that get left behind
All the innocence broken with lies
Significant between the lines
We may need to hide

And the meanings that get left behind
All the innocents lost at one time
We're all diferent behind the eyes
There's no need to hide

(yeah) 

Eu pertenço a mim Pearl Jam
Os egoístas estão todos em fila
Acreditando e esperando comprar tempo
Eu imagino como cada suspiro passa
Eu apenas possuo minha mente

O norte é para o sul o que o relógio é para o tempo
Existe o leste e existe o oeste e existe vida em todo lugar
Eu sei que nasci e sei que vou morrer
O que existe no meio me pertence
Eu sou meu

E o sentimento, fica para trás
Toda a inocência perdida de uma vez
Importância entre as frases
Não existe motivo para se esconder
Nós estamos a salvo esta noite

O oceano está cheio porque todos estão chorando
A lua cheia está a procura de amigos na maré-alta
A tristeza fica maior quando a tristeza é negada
Eu apenas conheço minha mente
Eu pertenço a mim

E o significado, fica para trás
Todos os inocentes perdidos de uma vez
Significante atrás dos olhos
Não existe motivo para se esconder...
Nós estamos a salvo esta noite

E os sentimentos que ficam para trás
Toda a inocência quebrada por mentiras
Significância, entre as linhas
Nós podemos precisar nos esconder

E os sentimentos que ficam para trás
Os os inocentes perdidos de uma vez
Nós somos todos diferentes atrás dos olhos
Não existe motivo para se esconder


http://www.vagalume.com.br/pearl-jam/i-am-mine-traducao.html#ixzz25SZ3pOGD




Under The Bridge Red Hot Chili Peppers
Sometimes I feel like I don't have a partner
Sometimes I feel like my only friend
Is the city I live in, the city of angels
Lonely as I am, together we cry

I drive on her streets 'cause she's my companion
I walk through her hills 'cause she knows who I am
She sees my good deeds and she kisses me windy
I never worry, now that is a lie.

Well, I don't ever wanna feel like I did that day
Take me to the place I love, take me all the way
I don't ever wanna feel like I did that day
Take me to the place I love, take me all the way, yeah, yeah, yeah

It's hard to believe that there's nobody out there
It's hard to believe that I'm all alone
At least I have her love, the city she loves me
Lonely as I am, together we cry

Well, I don't ever wanna feel like I did that day
Take me to the place I love, take me all the way
Well, I don't ever wanna feel like I did that day
Take me to the place I love, take me all the way, yeah, yeah, yeah
oh no, no, no, yeah, yeah
love me, I say, yeah yeah

(under the bridge downtown)
(is where I drew some blood)
is where I drew some blood

(under the bridge downtown)
(I could not get enough)
I could not get enough

(under the bridge downtown)
(forgot about my love)
forgot about my love

(under the bridge downtown)
(I gave my life away)
I gave my life away yeah, yeah yeah

(away)
no, no, no, yeah, yeah

(away)
no, no, no say, yeah, yeah

(away)
But I'll stay 

Debaixo da Ponte Red Hot Chili Peppers
Às vezes eu sinto que não tenho um companheiro
Às vezes eu sinto como se fosse meu único amigo
É a cidade em que vivo, a cidade dos anjos
Sozinho como eu estou, juntos nós choramos

Eu dirijo em suas ruas pois ela é minha companhia
Eu ando pelas suas colinas pois ela sabe quem eu sou
Ela vê meus feitos bons e ela me beija com o vento
Eu nunca me preocupo agora que é uma mentira

Bem, eu não quero nunca me sentir como me senti naquele dia
Me leve ao lugar que amo me leve embora
Bem, eu não quero nunca me sentir como me senti naquele dia
Me leve ao lugar que amo me leve embora
É difícil acreditar Que não há ninguém lá fora
É difícil acreditar Que estou totalmente só
Pelo menos tenho seu amor, A cidade me ama
Sozinho como estou Juntos nós choramos

Eu não quero me sentir como me senti naquele dia
Me leve ao lugar que amo me leve embora
Eu não quero me sentir como me senti naquele dia
Me leve ao lugar que amo me leve embora yeah, yeah, yeahoh no, no, no, yeah, yeah
Me ame, eu disse, yeah yeah

(Debaixo da ponte, centro da cidade)
(É onde eu derramei um pouco de sangue)
É onde eu derramei um pouco de sangue

(Debaixo da ponte, centro da cidade)
(Eu não poderia ter o bastante)
Eu não poderia ter o bastante

(Debaixo da ponte, centro da cidade)
(Esqueci do meu amor)
Esqueci do meu amor

(Debaixo da ponte, centro da cidade)
(Eu entreguei minha vida)
Eu entreguei minha vida, yeah, yeah, yeah

(Entreguei)
Não, não, não, yeah, yeah

(Entreguei)
Não, não, não disse, yeah, yeah

(Entreguei)
Mas eu vou ficar


http://www.vagalume.com.br/red-hot-chili-peppers/under-the-bridge-traducao.html#ixzz25SPnQ8iW







Não Existe Amor Em Sp

Criolo

Não existe amor em SP
Um labirinto místico
Onde os grafites gritam
Não dá pra descrever
Numa linda frase
De um postal tão doce
Cuidado com doce
São Paulo é um buquê
Buquês são flores mortas
Num lindo arranjo
Arranjo lindo feito pra você
Não existe amor em SP
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu
Não precisa morrer pra ver Deus
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você
Encontro duas nuvens em cada escombro, em cada esquina
Me dê um gole de vida
Não precisa morrer pra ver Deus





Envelheço na Cidade Ira!
Mais um ano que se passa
Mais um ano sem você
Já não tenho a mesma idade
Envelheço na cidade

Essa vida é jogo rápido
Para mim ou pra você
Mais um ano que se passa
Eu não sei o que fazer

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade

Meus amigos, minha rua
As garotas da minha rua
Não sinto, não os tenho
Mais um ano sem você

As garotas desfilando
Os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade
Não pertenço a ninguém

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade


http://www.vagalume.com.br/ira/envelheco-na-cidade.html#ixzz25STQcD71

segunda-feira, 28 de maio de 2012

CIÊNCIA POLÍTICA E CRIMINOLOGIA - Operário em Construção - Vinicius de Moraes

Operário, Cândido Portinari


Segue abaixo o lindo e triste poema de Vinicius de Moraes, perfeito para refletirmos sobre a alienação do trabalhador que não se vê realizado no próprio trabalho e muitas vezes só deixa de ser "invisível" quando encontra o tratamento penal do Estado, que antes não o protegeu.


Era ele que erguia casas/Onde antes só havia chão./Como um pássaro sem asas/Ele subia com as casas/Que lhe brotavam da mão./Mas tudo desconhecia/De sua grande missão:/Não sabia por exemplo/Que a casa de um homem é um templo/Um templo sem religião/Como tampouco sabia/Que a casa que ele fazia/Sendo a sua liberdade/Era a sua escravidão.

De fato, como podia/Um operário em construção/Compreender por que um tijolo/Valia mais do que um pão?/Tijolos ele empilhava/Com pá, cimento e esquadria/Quanto ao pão, ele o comia.../Mas fosse comer tijolo!/E assim o operário ia/Com suor e com cimento/Erguendo um casa aqui/Adiante um apartamento/Além uma igreja, à frente/Um quartel e uma prisão:/Prisão de que sofreria/Não fosse, eventualmente/Um operário em construção.

Mas ele desconhecia/Esse fato extraordinário:/Que o operário faz a coisa/E a coisa faz o operário./De forma que, certo dia/À mesa, ao cortar o pão/O operário foi tomado/De uma súbita emoção/Ao constatar assombrado/Que tudo naquela mesa/- Garrafa, prato, facão –/Era ele quem os fazia/Ele, um humilde operário,/Um operário em construção./Olhou em torno: gamela/Banco, enxerga, caldeirão/Vidro, parede, janela/Casa, cidade, nação!/Tudo, tudo o que existia/Era ele quem o fazia/Ele, um humilde operário/Um operário que sabia/Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento/Não sabereis nunca o quanto/Aquele humilde operário/Soube naquele momento!/Naquela casa vazia/Que ele mesmo levantara/Um mundo novo nascia/De que sequer suspeitava./O operário emocionado/Olhou sua própria mão/Sua rude mão de operário/De operário em construção/E olhando bem para ela/Teve um segundo a impressão/De que não havia no mundo/Coisa que fosse mais bela./Foi dentro da compreensão/Desse instante solitário/Que, tal sua construção/Cresceu também o operário/Cresceu em alto e profundo/Em largo e no coração/E como tudo que cresce/Ele não cresceu em vão./Pois além do que sabia/- Exercer a profissão –/O operário adquiriu/Uma nova dimensão:/A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu/Que a todos admirava:/O que o operário dizia/Outro operário escutava./E foi assim que o operário/Do edifício em construção/Que sempre dizia sim/Começou a dizer não./E aprendeu a notar coisas/A que não dava atenção:/Notou que sua marmita/Era o prato do patrão/Que sua cerveja preta/Era o uísque do patrão/Que seu macacão de zuarte/Era o terno do patrão/ Que seus dois pés andarilhos/Eram as rodas do patrão/Que a dureza do seu dia/Era a noite do patrão/Que sua imensa fadiga/Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!/E o operário fez-se forte/Na sua resolução./Como era de se esperar/As bocas da delação/Começaram a dizer coisas/Aos ouvidos do patrão./Mas o patrão não queria/Nenhuma preocupação./-- Convençam-no do contrário –/Disse ele sobre o operário/E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário/Ao sair da construção/Viu-se súbito cercado/Dos homens da delação/E sofreu, por destinado/Sua primeira agressão./Teve seu rosto cuspido/Teve seu braço quebrado/Mas quando foi perguntado/O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário/Sua primeira agressão/Muitas outras se seguiram/Muitas outras seguirão./Porém, por imprescindível/ Ao edifício em construção/Seu trabalho prosseguia/E todo o seu sofrimento/Misturava-se ao cimento/Da construção que crescia.

Sentindo que a violência/Não dobraria o operário/Um dia tentou o patrão/Dobrá-lo de modo vário./De sorte que o foi levando/Ao alto da construção/E num momento de tempo/Mostrou-lhe toda a região/E apontando-a ao operário/Fez-lhe esta declaração:/- Dar-te-ei todo esse poder/E a sua satisfação/Porque a mim me foi entregue/E dou-o a quem bem quiser./Dou-te tempo de lazer/Dou-te tempo de mulher./Portanto, tudo o que vês/Será teu se me adorares/E, ainda mais, se abandonares/O que te faz dizer não./Disse, e fitou o operário/Que olhava e que refletia/Mas o que via o operário/O patrão nunca veria./O operário via casas/E dentro das estruturas/Via coisas, objetos/Produtos, manufaturas./Via tudo o que fazia/O lucro do seu patrão/E em cada coisa que via/Misteriosamente havia/A marca de sua mão./E o operário disse: Não!

- Loucura! – gritou o patrão/Não vês o que te dou eu?/- Mentira! – disse o operário/Não podes dar-me o que é meu./E um grande silêncio fez-se/Dentro do seu coração/Um silêncio de martírios/Um silêncio de prisão/Um silêncio povoado/De pedidos de perdão/Um silêncio apavorado/Como o medo em solidão/Um silêncio de torturas/E gritos de maldição/Um silêncio de fraturas/A se arrastarem no chão./E o operário ouviu a voz/De todos os seus irmãos/Os seus irmãos que morreram/Por outros que viverão./Um esperança sincera/Cresceu no seu coração/E dentro da tarde mansa/Agigantou-se a razão/De um homem pobre e esquecido/Razão porém que fizera/Em operário construído/O operário em construção.”

terça-feira, 15 de maio de 2012

LEITURA DA SEMANA: Identidade - Zygmunt Bauman

Inaugurando um espaço novo aqui no blog e também para me impor a obrigatoriedade de manter uma carga de leitura mais constante, passarei a contar e eventualmente comentar, aquilo que eu estiver lendo no momento.

Na verdade nunca estou lendo um livro só... Se meu único criado não fosse mudo, ele diria: "Ai minhas costas!"

Entre todas as leituras por que pularei de semana em semana, escolherei alguma ou algumas e seus trechos, para sugerir aqui.

No momento, estou adorando um livrinho do Zygmunt Baumann, chamado "Identidade" e todas as suas reflexões sobre ainda termos a possibilidade do sentimento de pertença nos tempos da modernidade líquida.



"Lugares em que o sentimento de pertencimento era tradicionalmente investido (trabalho, família, vizinhança) são indisponíveis ou indignos de confiança, de modo que é improvável que façam calar sede por convívio ou aplaquem o medo da solidão e do abandono. Daí a crescente demanda pelo que poderíamos chamar de 'comunidades guarda roupa' [...] As comunidades guarda roupa são reunidas enquanto dura o espetáculo e prontamente desfeitas quando os espectadores apanham os seus casacos nos cabides. [...] Quando a qualidade o deixa na mão ou não está disponível, você tende a procurar a redenção na quantidade".

Entre minhas manias mais antigas está sempre ler a última frase do livro antes de começar a ler. A última do Identidade é "Tente, o máximo possível, evitar este problema." Não é pra ficar louco para terminar de uma vez?


As provocações me fizeram lembrar de uma música do álbum mais novo do Teatro Mágico: "Eu não sei na verdade quem eu sou".

Eu Não Sei Na Verdade Quem Eu Sou O Teatro Mágico
Eu não sei na verdade quem eu sou
já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou
Por que a gente é desse jeito?
criando conceito pra tudo que restou
Meninas são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro
Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso
E o meu paraíso é onde estou
Eu não sei... na verdade quem eu sou
Descobrir
Da onde veio a vida
por onde entrei
Deve haver uma saída
mas tudo fica sustentado
Pela fé
Na verdade ninguém
Sabe o que é

Velhinhos são crianças nascidas faz tempo
com água e farinha colo figurinha e foto em documento
Escola! É onde a gente aprende palavrão...
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração

Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
E sempre encontro sorriso... e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei na verdade quem eu sou

Perceber que a cada minuto
tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
tem gente rezando no escuro, tem gente sentindo ausência

Meninas são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que guardo dentro do meu travesseiro
http://www.vagalume.com.br/o-teatro-magico/eu-nao-sei-na-verdade-quem-eu-sou.html#ixzz1uy9NVxtK

sábado, 28 de abril de 2012

"Chove lá fora..."




Os dias de chuva não são os meus preferidos.

Mas não posso negar que também eles têm a sua beleza.

O cinza de fora ajuda a pensar nos cinzas de dentro, afinal, a vida não é feita só de colorido e de dias ensolarados.



Quando a vida nos traz mau tempo, deveríamos nos comportar de forma semelhante ao que fazemos nos dias de chuva.



Não sair de casa desnecessariamente. A tempestade é um excelente motivo para passar um tempo sozinho, em silêncio, reorganizando pensamentos.



Se deixar teu cantinho for inevitável, vá com calma. O trânsito, na chuva, fica bem mais difícil, exige atenção e paciência. A vida, nas tormentas, também é assim. É difícil encontrar vaga para estacionar, os vidros embaçam, tudo fica mais lento. Pressa, num momento difícil, vai só piorar as coisas. Se você sair correndo é possível que molhe muitos pedestres pelo caminho. Só quem já foi um pedestre desavisado ao lado de uma poça em um dia de chuva vai entender o que estou dizendo. Cuidado com quem você atinge com a pressa para sair do aguaceiro.



Mantenha as luzes acesas. Não importa se ainda é dia, você vai precisar de mais luzes para se virar em tempos escuros. Lembrar quem você é e quem você quer ser, será o melhor farol. Ouvir bons conselhos funcionará como “olhos de gato” ao longo do caminho.



Caso você realmente se encharque na chuva, isso não é tão grave.
O certo, tanto em relação às chuvas, quanto aos momentos difíceis, é que, da mesma forma que é impossível uma vida inteira sem eles, eles passam.



A chuva pode ser uma grande oportunidade de exibir por aí o teu guarda chuva mais colorido e mostrar que quem decide as cores da tua vida, é você.



E, a seguir, no melhor estilo “qualéamúsica”, se a palavra é chuva, aí vai a melhor música:

Raindrops Keep Falling on My Head Burt Bacharach
Raindrops falling on my head
And just like the guy whose feet are too big for his bed
Nothin' seems to fit
Those raindrops are falling on my head, they keep falling

So I just did me some talkin' to the sun
And I said I didn't like the way he' got things done
Sleepin' on the job
Those raindrops are falling on my head, they keep falling

But there's one thing I know
The blues they send to meet me won't defeat me
It won't be long till happiness steps up to greet me

Raindrops keep falling on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red
Crying's not for me
Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm free
Nothing's worrying me.

It won´t be long till happiness steps up to greet me

Raindrops keep falling on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red
Crying's not for me
Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm free
Nothing's worrying me.


http://www.vagalume.com.br/burt-bacharach/raindrops-keep-falling-on-my-head.html#ixzz1tNDMKQ6v