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segunda-feira, 16 de junho de 2014

CIÊNCIA POLÍTICA - PARA PENSAR EM IGUALDADE


Professora é considerada obesa e fica impedida de lecionar no Estado

A professora em sociologia  Bruna Giorjiani de Arruda, de 28 anos, passou em segundo lugar no último concurso público da Secretaria de Educação do Estado, mas, por ser considerada obesa mórbida pelo médico perito que avaliou os exames, foi impedida de  assumir o cargo de professora na Escola Genaro Domarco, em Mirassol (SP).

Bruna tem 110 quilos e mede 1,65 m. Há sete anos trabalha como professora substituta em escolas da rede estadual no interior de São Paulo. Com seu peso e a altura, Bruna tem o IMC, que é o Índice de Massa Corporal, de 40,4, o que é considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como obesidade mórbida, já que o limite é de 40. Atualmente, ela leciona em uma escola estadual em Nova Aliança (SP) e, se não fosse este problema, já teria assumido o novo posto em Mirassol na semana passada.


 

Maringá proíbe fumantes em concurso público.


A decisão da prefeitura de não empregar fumantes no Programa Saúde da Família (PSF) está gerando polêmica em Maringá. A restrição consta no edital do concurso público, lançando em outubro do ano passado, para a contratação de funcionários para o projeto. A primeira fase do teste foi realizada em novembro e agora, na fase de pré-admissão, os convocados têm de atestar por escrito que não são fumantes.


 

OAB/MA quer revisão do edital do concurso do Tribunal de Justiça que proíbe participação de cegos.


OAB/MA quer revisão do edital do concurso do Tribunal de Justiça que proíbe participação de cegos. O presidente da seccional maranhense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MA), José Caldas Gois, solicitou ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ/MA) a revisão do edital do concurso público para o preenchimento de vagas para o cargo de juiz de Direito. Para a OAB, o edital traz em seu bojo previsão claramente inconstitucional, por impedir, na prática, a participação de pessoas portadoras de deficiência visual ou doenças da visão.


 

Art. 390. Ao empregador é vedado empregar a mulher em serviço que demande o emprego de força muscular superior a 20 (vinte) quilos, para o trabalho contínuo, ou 25 (vinte e cinco) quilos, para o trabalho ocasional. CLT

 

Lojas Renner é multada por não contratar percentual mínimo de deficientes

A 3ª turma do TRT da 4ª região negou provimento ao recurso da Lojas Renner para reformar decisão que julgou improcedente ação anulatória de débito fiscal. A empresa pretendia que fosse declarada a nulidade do auto de infração que a multou em R$ 220 mil por não observar o percentual mínimo de trabalhadores com deficiência habilitados ou beneficiários da Previdência Social reabilitados, conforme estipulado no art. 93 da lei 8.213/91.

Na ocasião, a Lojas Renner possuía 10.674 funcionários e não mantinha o mínimo de 5% de pessoas com deficiência ou reabilitadas, apresentando apenas 229 empregados nessa condição.

EMENTA

AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRATAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA OU REABILITADOS. Empresas que contam com 100 ou mais empregados estão obrigadas a contratar percentual mínimo de pessoas com deficiência ou reabilitadas, conforme estabelece o art. 93 da Lei nº 8.213/91.


 

 


Notícia publicada no Estadão, em 4 de maio de 2014.

Pais, estudantes e professores se unem para tentar impedir a interferência direta do Ministério da Educação no programa escolar e nas decisões tomadas em cada centro de ensino para 'promover a democracia participativa' e 'aprofundar o socialismo' no país

"Em um restaurante socialista de arepa (comida tradicional venezuelana à base de farinha de milho), uma arepa e um suco custam 12 bolívares. Se três famílias de cinco pessoas comerem fora e consumirem 21 arepas e 21 sucos, quanto elas gastaram?" Este problema simples de matemática faz parte de um novo livro didático da quarta série que está sendo distribuído gratuitamente em escolas da Venezuela.

O problema associa "socialismo" e um dos principais programas sociais do governo, os restaurantes de arepa fortemente subsidiados. Muitos pais venezuelanos apontam para esse e vários outros exemplos para afirmar que o governo quer doutrinar os estudantes. Isso fez com eles se unissem ao movimento estudantil nas ruas do país.


 

ONU detalha 'violações sistemáticas' na Coreia do Norte


Atualizado em  17 de fevereiro, 2014

A comissão apurou que o direito à liberdade de pensamento, consciência, religião, opinião, expressão, informação e associação é quase totalmente negado aos norte-coreanos.

O Estado opera como uma máquina de doutrinamento, que propaga o culto à personalidade oficial e prega a obediência absoluta ao "líder supremo", Kim Jong-un.

Praticamente todas as atividades sociais dos cidadãos de todas as idades são controladas pelo Partido dos Trabalhadores da Coreia. O Estado dita a vida cotidiana das pessoas por meio de associações organizadas pelo partido.

As pessoas não têm direito a informações independentes: a mídia estatal é a única fonte permitida de informação.

(http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/02/140217_coreia_norte_onu_entenda_pai.shtml?utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

DOZALUNO/MÚSICA DO DIA: "O homem é o lobo do homem"

Olha aí a sugestão do Lucas, música da Pitty que nos faz pensar nos comentários sobre a obra de Hobbes e Locke, Estado de Natureza e Contratualismo.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

CIÊNCIA POLÍTICA e CRIMINOLOGIA - Para pensar mais uma vez no "Tempos Modernos"

"A economia política não se ocupa dele no seu tempo livre, como homem, mas deixa este aspecto para o direito penal, os médicos, a religião, as tabelas estatísticas, a política e o funcionário de manicômio. (...) ... não conhece o trabalhador desocupado, o homem que trabalha, à medida que ele se encontra fora da relação de trabalho. O trapaceiro, o ladrão, o mendigo, o desempregado, o esfomeado, o miserável e o delinqüente, são figuras de homem que não existem para a economia política, mas só para outros olhos, para os do médico, do juiz, do coveiro, do burocrata, etc."

Marx, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos.

CIÊNCIA POLÍTICA E CRIMINOLOGIA - Operário em Construção - Vinicius de Moraes

Operário, Cândido Portinari


Segue abaixo o lindo e triste poema de Vinicius de Moraes, perfeito para refletirmos sobre a alienação do trabalhador que não se vê realizado no próprio trabalho e muitas vezes só deixa de ser "invisível" quando encontra o tratamento penal do Estado, que antes não o protegeu.


Era ele que erguia casas/Onde antes só havia chão./Como um pássaro sem asas/Ele subia com as casas/Que lhe brotavam da mão./Mas tudo desconhecia/De sua grande missão:/Não sabia por exemplo/Que a casa de um homem é um templo/Um templo sem religião/Como tampouco sabia/Que a casa que ele fazia/Sendo a sua liberdade/Era a sua escravidão.

De fato, como podia/Um operário em construção/Compreender por que um tijolo/Valia mais do que um pão?/Tijolos ele empilhava/Com pá, cimento e esquadria/Quanto ao pão, ele o comia.../Mas fosse comer tijolo!/E assim o operário ia/Com suor e com cimento/Erguendo um casa aqui/Adiante um apartamento/Além uma igreja, à frente/Um quartel e uma prisão:/Prisão de que sofreria/Não fosse, eventualmente/Um operário em construção.

Mas ele desconhecia/Esse fato extraordinário:/Que o operário faz a coisa/E a coisa faz o operário./De forma que, certo dia/À mesa, ao cortar o pão/O operário foi tomado/De uma súbita emoção/Ao constatar assombrado/Que tudo naquela mesa/- Garrafa, prato, facão –/Era ele quem os fazia/Ele, um humilde operário,/Um operário em construção./Olhou em torno: gamela/Banco, enxerga, caldeirão/Vidro, parede, janela/Casa, cidade, nação!/Tudo, tudo o que existia/Era ele quem o fazia/Ele, um humilde operário/Um operário que sabia/Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento/Não sabereis nunca o quanto/Aquele humilde operário/Soube naquele momento!/Naquela casa vazia/Que ele mesmo levantara/Um mundo novo nascia/De que sequer suspeitava./O operário emocionado/Olhou sua própria mão/Sua rude mão de operário/De operário em construção/E olhando bem para ela/Teve um segundo a impressão/De que não havia no mundo/Coisa que fosse mais bela./Foi dentro da compreensão/Desse instante solitário/Que, tal sua construção/Cresceu também o operário/Cresceu em alto e profundo/Em largo e no coração/E como tudo que cresce/Ele não cresceu em vão./Pois além do que sabia/- Exercer a profissão –/O operário adquiriu/Uma nova dimensão:/A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu/Que a todos admirava:/O que o operário dizia/Outro operário escutava./E foi assim que o operário/Do edifício em construção/Que sempre dizia sim/Começou a dizer não./E aprendeu a notar coisas/A que não dava atenção:/Notou que sua marmita/Era o prato do patrão/Que sua cerveja preta/Era o uísque do patrão/Que seu macacão de zuarte/Era o terno do patrão/ Que seus dois pés andarilhos/Eram as rodas do patrão/Que a dureza do seu dia/Era a noite do patrão/Que sua imensa fadiga/Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!/E o operário fez-se forte/Na sua resolução./Como era de se esperar/As bocas da delação/Começaram a dizer coisas/Aos ouvidos do patrão./Mas o patrão não queria/Nenhuma preocupação./-- Convençam-no do contrário –/Disse ele sobre o operário/E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário/Ao sair da construção/Viu-se súbito cercado/Dos homens da delação/E sofreu, por destinado/Sua primeira agressão./Teve seu rosto cuspido/Teve seu braço quebrado/Mas quando foi perguntado/O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário/Sua primeira agressão/Muitas outras se seguiram/Muitas outras seguirão./Porém, por imprescindível/ Ao edifício em construção/Seu trabalho prosseguia/E todo o seu sofrimento/Misturava-se ao cimento/Da construção que crescia.

Sentindo que a violência/Não dobraria o operário/Um dia tentou o patrão/Dobrá-lo de modo vário./De sorte que o foi levando/Ao alto da construção/E num momento de tempo/Mostrou-lhe toda a região/E apontando-a ao operário/Fez-lhe esta declaração:/- Dar-te-ei todo esse poder/E a sua satisfação/Porque a mim me foi entregue/E dou-o a quem bem quiser./Dou-te tempo de lazer/Dou-te tempo de mulher./Portanto, tudo o que vês/Será teu se me adorares/E, ainda mais, se abandonares/O que te faz dizer não./Disse, e fitou o operário/Que olhava e que refletia/Mas o que via o operário/O patrão nunca veria./O operário via casas/E dentro das estruturas/Via coisas, objetos/Produtos, manufaturas./Via tudo o que fazia/O lucro do seu patrão/E em cada coisa que via/Misteriosamente havia/A marca de sua mão./E o operário disse: Não!

- Loucura! – gritou o patrão/Não vês o que te dou eu?/- Mentira! – disse o operário/Não podes dar-me o que é meu./E um grande silêncio fez-se/Dentro do seu coração/Um silêncio de martírios/Um silêncio de prisão/Um silêncio povoado/De pedidos de perdão/Um silêncio apavorado/Como o medo em solidão/Um silêncio de torturas/E gritos de maldição/Um silêncio de fraturas/A se arrastarem no chão./E o operário ouviu a voz/De todos os seus irmãos/Os seus irmãos que morreram/Por outros que viverão./Um esperança sincera/Cresceu no seu coração/E dentro da tarde mansa/Agigantou-se a razão/De um homem pobre e esquecido/Razão porém que fizera/Em operário construído/O operário em construção.”

domingo, 13 de maio de 2012

terça-feira, 8 de maio de 2012

CIÊNCIA POLÍTICA - Admirável Mundo Novo



Segue o link para baixar o Admirável Mundo Novo.

http://www.4shared.com/office/I7P_QoMQ/Aldous_Huxley_-_Admirvel_Mundo.html


domingo, 4 de março de 2012

Sugestão de Leitura: Política para não ser idiota

Excelente sugestão de leitura:



Segundo os autores, Renato Janine Ribeiro e Mario Sergio Cortella, a imagem abaixo seria a perfeita demonstração de uma atitude de idiota. E para saber o que se pretende dizer com idiota, só lendo o livro!



"Esse exercício da liberdade como soberania é algo que se aproxima da idéia de idiótes."

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Admirável Mundo Novo

CIÊNCIA POLÍTICA - ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

"Os dias se passaram. O sucesso subiu à cabeça de Bernard e, nessa operação, reconciliou-o completamente (como devia fazer um bom intoxicante) com um mundo que até então ele julgava muito insatisfatório. Enquanto fosse considerado importante, a ordem das coisas parecia-lhe boa." (Aldous Huxley)


A seguir, boas músicas que nos ajudam a pensar na diluição da individualidade na coletividade.









sábado, 28 de agosto de 2010

Mater Semper Certa?

MATER SEMPER CERTA?


Em busca de entender a sociedade e o Estado em que vivemos, é interessante pensar sobre a origem de tudo isso. Não raras vezes percebemos que em alguns aspectos parecemos hoje estar regredindo a algumas características primitivas.

A partir de nossas características atuais (afinal, um grupo de seres humanos talvez tenha sido sempre um grupo de seres humanos), tentamos imaginar como teriam se organizado as primeiras tribos, clãs, etc.

Há então várias teorias possíveis, todas elas tratando da submissão de um indivíduo a outro ou de um grupo a outro grupo. São vários os fatores que podem ter levado a essa submissão, relações econômicas, religiosas, violentas, racionais e também familiares.

Dentro da Teoria da Origem Familiar há duas correntes possíveis: origem patriarcal e origem matriarcal.

De acordo com a Teoria Matriarcal “a primeira organização familiar teria sido baseada na autoridade da mãe. De uma primitiva convivência em estado de completa promiscuidade, teria surgido a família matrilínea, naturalmente, por razões de natureza fisiológica – mater semper certa. Assim, como era geralmente incerta a paternidade, teria sido a mãe a dirigente e autoridade suprema das primitivas famílias, de maneira que o clã matronímico, sendo a mais antiga forma de organização familiar, seria o fundamento da sociedade civil” (1)

Pensamos então em grupos nômades, que permaneceriam em determinado local enquanto ali obtivessem os recursos necessários para a sobrevivência. Esgotados os recursos, parte-se para um novo destino.

Os homens certamente eram os caçadores, periodicamente deixavam o grupo para se aventurar em busca de alimento. Nem sempre tinham êxito, nem sempre sobreviviam, de forma que os vínculos entre as pessoas eram extremamente frágeis, sem noções de família, monogamia e fidelidade. Logo, como as vidas dos homens eram muito instáveis, apenas mater semper certa, ou seja, só havia certeza quanto a quem eram as mães.

À medida em que fomos nos tornando sedentários, fixando uma sede para nossas vidas, a autoridade vai se tornando masculina, talvez em razão dos homens oferecerem melhor proteção contra os perigos.

Caminhou então a história, para períodos de total submissão feminina, com mulheres vistas como patrimônio de seus pais e maridos, até passarmos pela busca de direitos, notadamente a igualdade. Chegamos ao presente com mulheres obtendo grandes espaços e cargos relevantes, muitas até se masculinizando nesse intuito, enquanto outras ainda se submetem à violência doméstica e à dependência econômica de um companheiro ou de companheiros que se sucedem...

Tenho às vezes a sensação de que novamente nos encontramos na época dos nômades e dos pais incertos.

Estamos ficando cada vez mais sem raízes. Voltamos a ser nômades, vagando de emprego em emprego, cidade em cidade, buscando melhores recursos, procurando obter os meios para uma existência mais confortável. Já não ouvimos mais as histórias daquele funcionário que iniciou e terminou a vida profissional dentro da mesma empresa. Quanto maiores as cidades, mais difícil o relato de vizinhos que acompanharam a vida toda uns dos outros, vendo os filhos crescendo juntos, tornando-se quase mais próximos do que familiares. Antigamente os vizinhos cuidavam da nossa casa quando viajávamos... hoje preferimos que eles nem fiquem sabendo que deixamos a casa sozinha!

Não sabemos muito bem quem são as pessoas ao nosso redor. Estamos próximos, mas muito distantes.

A maior facilidade de transportes e comunicação nos aproximou de muitas oportunidades, nos permitiu voar ou flutuar em nuvens de informações, mas é preciso ter cuidado para não transferir isso as nossas relações, permanecendo nelas também apenas enquanto nelas obtemos os recursos necessários para que nossa existência seja mais agradável, mantendo vínculos que são apenas eternos enquanto duram (2).

Hoje, como outrora, quantos pais não são também desconhecidos de seus filhos?

Usufrui-se de uma relação enquanto prazerosa, retirando do outro o que ele tem a me oferecer, e, esgotada a novidade, abandona-se, pega-se a estrada, em busca de novos prazeres. Muitas crianças são deixadas ao longo desse caminho, com pouquíssimas certezas. Pais ausentes nas certidões e nas vidas de seus filhos. Talvez ainda remanesça a certeza da mãe, quando essa tiver condições de ser verdadeiramente mãe. É possível ainda imaginar, que com o progresso da tecnologia e retrocesso das convicções morais, logo nem sobre as mães teremos qualquer certeza...

Será a família ainda a celula mater da sociedade? Não cabe a nós apenas responder, mas agir para garantir que assim o seja.

E por aí vamos, soltos, sem raízes, sem história. Solidões que convivem, conforme bem comenta Contardo Calligaris em seus “tuites” sobre a solidão urbana(3). Se sei quem sou a partir do que me mostra o outro... não sei de mais nada!

Fica a pergunta da música: Isso lá é bom? (4)

(1) MALUF, Sahid. Teoria geral do estado. 28 ed. São Paulo, Saraiva: 2008. p. 63

(2) “Que não seja imortal, posto que é chama
      Mas que seja infinito enquanto dure.” MORAES, Vinicius de. Antologia Poética. Editora do Autor, Rio de Janeiro: 1960. p. 96.

(3) (@ccalligaris)

(4) “Ah Solidão. Foge que eu te encontro, que eu já tenho asas... Isso lá é bom? Doce solidão...” Marcelo Camelo - Sou

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Nos ombros de quem temos subido?

Ontem à noite as aulas de Ciência Política e Teoria Geral do Estado foram daquelas que considero ideais: a maioria já tinha ao menos dado uma passada de olhos nos textos sugeridos, fizemos uma roda e a partir de algumas perguntas propostas foi construída a conversa.

Falávamos de Thomas Hobbes(1) e John Locke(2), suas idéias contratualistas, visão das funções do Estado e da existência de direitos inerentes aos seres humanos.

O primeiro, mais pessimista em relação ao ser humano, afirmando a celebração do contrato em razão de nossa desconfiança mútua. O segundo nos é mais favorável, verificando no contrato a função de garantir direitos que já são nossos por natureza. O Estado chega para nos proteger de nós mesmos!

Vemos também a importância de se destacar o Estado como fruto da vontade humana e não apenas mera expressão de instinto de sobrevivência. Tal conclusão resgata a dignidade do ser humano e de cada indivíduo, asseverando-se que o Estado foi criado para promover o ser humano e qualquer proposta ofensiva a mesma liberdade que criou o Estado, retira dele a sua legitimidade. Criamos o Estado não apenas para preservar nossas vidas, mas também para preservar outros tantos valores que dão sentido a esta mesma vida.

É fascinante observar pessoas tomando contato com obras e autores anteriormente desconhecidos e sendo por eles conduzidos também a idéias que nunca lhes tinham passado pela cabeça. Alguém de repente diz: "o homem é o lobo do homem e então resolveu inventar o Estado... só trocaram de lobo então!" Outro afirma: "sempre pensei algo parecido, mas não sabia fundamentar".

Comentamos no início da conversa sobre a importância de ler os clássicos, lembrando Italo Calvino (3) e a afirmação de que clássicas são as obras que nunca terminam de nos dizer o que têm a dizer. Conversar com os autores de obras assim é ingressar no grande diálogo universal, subir nos ombros de gigantes(4) e talvez assim obter uma melhor visão do mundo e da vida.

Ao final da conversa foi exatamente o que todos percebemos, sentimos subir o nível do debate. Gradualmente do Leviatã e do Segundo Tratado sobre o Governo Civil, chegamos às eleições 2010, nos perguntando: Será que os candidatos sabem para que serve o Estado? Será que temos alguma noção dos valores que defendemos quando escolhemos uma ou outra proposta? Que Estado queremos? Precisamos de um pai, de um provedor, de um guardião...?

Muitos se dão conta de que nunca refletiram sobre suas escolhas dessa forma e que quando propõe tal reflexão não encontram acolhida entre a maioria de seus familiares e amigos.

Com uma leitura superficial de dois autores e a breve troca de idéias entre a turma, sem grande esforço já estávamos enxergando mais além do que muitos outros e daí nos vem a responsabilidade em comunicar a todos a visão que temos aqui um pouco mais do alto...

(1) HOBBES, Thomas. Leviatã: ou matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e cicil. Tradução de Alex MARINS. São Paulo: Martin Claret, 2004.
(2) LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo. Tradução de Alex MARTINS. São Paulo: Martin Claret, 2004.
(3) CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. Tradução de Nilson MOULIN. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

(4) "Se eu vi mais longe, foi por estar de pé sobre ombros de gigantes". Isaac Newton